Microchip no corpo de trabalhadores?

Este método radical tem alarmado sindicatos e outras organizações de defesa dos direitos humanos, visto poder condicionar a privacidade dos trabalhadores. Importa ponderar o seu impacto real.

Não é ficção científica. A tecnologia que em Portugal já é utilizada para identificar animais (pets domésticos), começa a servir para fins de controlo humano nas empresas.

A instalação de chips subcutâneos (do tamanho de um grão de arroz) no corpo dos trabalhadores permite abrir portas, fazer login nos computadores e servir de interface com outras máquinas nas empresas, estimando-se que o volume cresça no decorrer dos próximos anos e que a tecnologia se torne padrão para utilização como “passaporte, cartão de identificação ou bilhete de transporte público”.

De acordo com a “Three Square Market” (empresa tecnológica do Wisconsin, nos EUA) pioneira na instalação de chips – avaliada em cerca de 300 euros e que está nas mãos de 50 trabalhadores (voluntários) – os dispositivos usam a tecnologia de NFC (Near Field Communication, ou Comunicação por Campo de Aproximação) já utilizada em cartões de crédito e smartphones.

Na Europa, a Suécia é pioneira, muito devido à flexível regulamentação laboral, à fraca resistência à mudança e aos fatores culturais que distinguem os nórdicos pela natural partilha da informação dos cidadãos com as autoridades governamentais.

Na Bélgica, a Newfusion, uma empresa de marketing digital, implantou chips subcutâneos em oito trabalhadores, com o propósito de servir como “chave” de identificação para abrir portas, ligar a ignição de automóveis, aceder aos computadores da empresa e até dar informações pessoais (biométricas).

Por isso, a implantação de chips subcutâneos para acesso ao sistema interno está a causar polémica. Este método radical tem alarmado sindicatos e outras organizações de defesa dos direitos humanos, como é o caso do Reino Unido, onde se perspetiva que as empresas britânicas possam implantar microchips nos seus trabalhadores, com a justificação de melhorarem a segurança no trabalho, apesar de levantar questões relacionadas com a vida privada, a saúde e o risco de vigilância permanente dos trabalhadores.

Quem garante que o microchip não possibilita a incorporação de qualquer dispositivo GPS e, consequentemente, o condicionamento da privacidade dos trabalhadores?

Qual o impacto real (legal, ético e psicossocial) desta inovação tecnológica na saúde e bem-estar dos trabalhadores, designadamente devido às reações adversas que os microchips possam causar ao organismo humano e também pelos inerentes riscos psicossociais (como o assédio moral), possibilitando que as empresas obriguem os trabalhadores a serem controlados, submetendo-os à instalação de chips no seu corpo?

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