Miguel Maya: “BCP já tem cinco mil operações por dia feitas por robôs”

“O BCP aprendeu com os erros do passado”, reconheceu o banqueiro. Miguel Maya disse que era preciso a tecnologia com a relação humana já que “a tecnologia é para servir a relação”, referiu.

Cristina Bernardo

Na conferência “a Banca do Futuro”, o CEO do BCP, Miguel Maya, recusou que o banco, que nasceu em 1985, seja um banco do passado. Num debate onde a digitalização foi centro das atenções, Miguel Maya disse que “o BCP é um banco jovem na mentalidade com a experiência do passado”.

“Nós estamos a reinventar o banco com olhos nos clientes, disse. O BCP não é o incumbente pesado”, reforçou.

“O BCP aprendeu com os erros do passado”, reconheceu o banqueiro. Maya disse que era preciso a tecnologia com a relação humana já que “a tecnologia é para servir a relação”, referiu.

”Temos já robôs a trabalhar. Há 5 mil operações por dia de forma completamente autónoma e sem reduzir o número de pessoas. Estamos a recrutar”.

“Vamos pegar nas novas ferramentas do digital e vamos incorporá-las dentro do nosso próprio processo do negócio. A reorganização do banco é fundamental”, adiantou o presidente do BCP.

Por outro lado, Miguel Maya voltou a queixar-se da contribuição para o Fundo de Resolução. “O BCP paga 50 milhões por ano para o Fundo de Resolução nacional e nenhum destes novos operadores que estão a entrar [N26, Revolut, etc] pagam”, salientou.

No debate participaram, para além de Miguel Maya, também Paulo Macedo, CEO da CGD, e António Ramalho do Novo Banco.

Por sua vez, Paulo Macedo realçou que nunca os custos financeiros foram tão baixos como agora, quer para as empresas, quer para os particulares, pois nunca a prestação da casa foi tão baixa.

“Não se consegue fazer face a este novo contexto de taxas de juros baixas sem escala. Por causa das questões regulatórias, as questões de capital e as questões dos rácios exigidos e o custo de segurança e protecção. A Caixa tem um custo de segurança e protecção que mais ninguém tem. Por questões de cibersegurança, mas também por questões de tratamento de dados”, adiantou.

Para o presidente da Caixa, o banco tem de ser mais ágil, ser um banco de relação e ter dimensão. “Com este nível de endividamento a CGD, se não for pública não é portuguesa”.

Já António Ramalho chamou a atenção para a necessidade da banca ajustar os custos. “ O jogo é trabalhar os custos. Nos próximos dois, três anos, os bancos vão ter que ajustar custos para aquele que é o nível que nós podemos suportar”.

O presidente do Novo Banco, António Ramalho, considerou que há uma “intolerância do mercado” para novas subidas nas comissões. “A nossa capacidade de nos reajustarmos sobre custos mais baixos é real”, afirmou na conferência Banca do Futuro, organizada pelo “Jornal de Negócios”, em Lisboa, referindo ainda que os bancos deverão “abandonar alguns negócios onde não há rentabilidade suficiente”.

António Ramalho criticou a política monetária agressiva que tem sido útil, “mas os efeitos da transmissão dessa política acomodatícia à sociedade são impensáveis de ser realizados a partir de certa altura”.

“A certa altura as incertezas que gera nos investidores supera os benefícios das taxas de juros muito baixas”.

O CEO do Novo Banco disse que existe “um problema de que a banca neste momento: a taxa de zero retira racionalidade ao depósito a prazo. Há subsidiação do sistema financeiro para a valorização da poupança.

(atualizada)

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