Millennials estão menos leais às empresas, revela estudo da Deloitte

Quase metade (43%) dos inquiridos no âmbito do “Millennial Survey 2018” tenciona deixar o seu local de trabalho dentro de dois anos.

Nunca como hoje as gerações mais jovens tiveram tão pouca confiança nas empresas, conclui o “Millennial Survey 2018“. A perceção desta geração atingiu o nível mais baixo dos últimos quatro anos, com apenas 48% dos inquiridos a considerar que empresas se comportam de forma ética (eram 65% em 2017) e 47% a acreditar que os líderes empresariais estão empenhados em criar um impacto positivo na sociedade (62% em 2017).

Os millennials e agora também a “geração Z” consideram que as empresas têm um papel mais amplo na sociedade e que o sucesso do negócio deve ser medido para além do desempenho financeiro. A maioria aponta como prioridades das empresas: a criação de emprego, a inovação, a melhoria das condições de vida e das carreiras dos colaboradores e a criação de um impacto positivo na sociedade e no meio ambiente.

A falta de confiança revela-se igualmente no vínculo que os millennials mantêm com a entidade patronal. Segundo o estudo, 43% dos inquiridos tenciona deixar o seu local de trabalho dentro de dois anos (face 38% em 2017), sendo apenas 28% os que esperam ficar mais de cinco anos (face 31% em 2017).

No grupo dos que tencionam abandonar o trabalho atual dentro de dois anos, 62% considera a “gig economy” como alternativa ao emprego a tempo inteiro. A lealdade é ainda menor entre os inquiridos da “geração Z”, com 61% a revelar a intenção de dar esse passo.

Do ponto de vista das empresas, a remuneração e a cultura são os fatores que mais atraem estas gerações, no entanto, estas devem focar-se na diversidade, inclusão e flexibilidade, que podem ser a chave para a sua retenção. Os inquiridos que trabalham em empresas com equipas de trabalho diversificadas e geridas por seniores têm uma maior propensão para ficar cinco ou mais anos na mesma empresa. Entre estes, 55% afirma que agora o seu local de trabalho é mais flexível do que há três anos.

O estudo envolveu 10.455 millennials, de 36 países, e 1.850 jovens da “geração Z” de seis países. Dá-se o nome de millennial aos nascidos entre janeiro de 1983 e dezembro de 1994. Já a geração Z abrange todos os nascidos entre janeiro de 1995 e dezembro de 1999.

Ler mais
Relacionadas

Empresas recrutam nas universidades e redes sociais

A edição deste ano do do Barómetro Kaizen revela que universidades e redes sociais são já as principais fontes de recrutamento de profissionais da geração centennial.

Carga fiscal: quando aumentar salários e dar prémios não chega

Um número crescente de empresas tenta contornar a subida da carga fiscal e compensa os trabalhadores com benefícios em espécie e serviços prestados no local de trabalho.
Recomendadas

Portugal pode “fortalecer mecanismo de acusação penal”, considera OCDE

No relatório sobre Portugal, a OCDE explica que a avaliação do nível de corrupção é difícil, uma vez que os indicadores existentes se baseiam principalmente em percepções. Recomenda ainda que Ministério Público deve “continuar a melhorar a capacidade” para combater a criminalidade económica e financeira.

Premium“Hoje as pessoas são jovens advogados até aos 45 anos”

Ana Rita Duarte Campos, presidente do Instituto de Apoio aos Jovens Advogados, teme que os recém-chegados à profissão, munidos de tecnologia, não vejam na advocacia um emprego apelativo e socialmente importante.

Câmara de Comércio Internacional debate conflitos de interesses em Lisboa

Maria José Morgado, procuradora do Supremo Tribunal de Justiça, é uma das oradoras no evento que se realiza na quinta-feira no centro de Lisboa da Câmara de Comércio e Indústria Portuguesa.
Comentários