Ministério Público confirma arresto de contas bancárias de Isabel dos Santos

PGR confirma que requereu o arresto de contas bancárias de Isabel dos Santos e das suas empresas. Congelamento abrange todos os bancos portugueses onde empresária e o marido detêm contas. O JE sabe que foram arrestadas dezenas de contas em bancos como o BPI, Millennium bcp e EuroBic. Só neste último banco foram arrestadas mais de 10 contas.

DR AFP/Getty Images

A Procuradoria Geral da República (PGR) confirma que requereu o arresto de contas bancárias pessoais e das empresas de Isabel dos Santos no âmbito do processo de arresto em Angola que deu origem a pedidos de cooperação judiciária internacional junto das autoridades judiciais portuguesas.

“Confirma-se que o Ministério Público requereu o arresto de contas bancárias, no âmbito de pedido de cooperação judiciária internacional das autoridades angolanas”, avançou ao Jornal Económico fonte oficial da PGR.

O confirmação do bloqueio de contas bancárias da empresária angolana foi também dada pela PGR de Angola, ao sinalizar ao JE que solicitou a Portugal  o congelamento de contas da empresária Isabel dos Santos no âmbito dos  pedidos” de cooperação de Angola relacionados com o Luanda Leaks, cuja investigação internacional revelou mais de 715 mil ficheiros que detalham esquemas financeiros de Isabel dos Santos e do marido, Sindika Dokolo, que estarão na origem da fortuna da família, calculada em mais de dois mil milhões de euros.

“Na reunião , em Lisboa, entre os Procuradores Gerais de Angola e de Portugal, e na sequência de pedidos de cooperação foi solicitado o congelamento de contas pessoais e das empresas de Isabel dos Santos no âmbito do processo de arresto em Angola”, revelou ao Jornal Económico fonte oficial da PGR de Angola, acrescentando que aquele pedido “foi formalizado em carta rogatória enviada após a visita, onde são solicitadas essas diligências da justiça portuguesa”.

Segundo a mesma fonte, “as autoridades judiciais portuguesas ainda não notificaram Angola sobre a concretização do congelamento das contas”.

No final de janeiro, a PGR portuguesa confirmou que tinha recebido do Ministério Público angolano cartas rogatórias para vários “pedidos de cooperação judiciária internacional em matéria penal” relacionados com o caso Luanda Leaks.

O JE  revelou ao início desta tarde que  a justiça portuguesa mandou congelar dezenas de contas bancárias de Isabel dos Santos e das suas empresas, bem como do seu marido Sindika Dokolo, que estão domiciliadas em bancos portugueses. Só no  EuroBic – onde a empresária angolana colocou a sua participação à venda na sequência do caso Luanda Leaks e cuja aquisição de 95% do capital pelo Abanca foi confirmada esta semana –  foram bloqueadas mais de 10 contas bancárias relacionadas com a empresária angolana. O congelamento estende-se a todos os bancos portugueses onde Isabel dos Santos e o marido têm contas pessoais ou de empresas, como, por exemplo, o Millennium BCP e o BPI.

Recorde-se que o pedido de cooperação foi reiterado pessoalmente pelo Procurador Geral de Angola, Hélder Pitta Grós, à Procuradora Geral portuguesa no passado dia 23 de janeiro na reunião com a sua homóloga, Lucília Gago. O encontro que contou também com a presença da diretora do Serviço de Recuperação de Ativos (SRA) da PGR de Angola, Eduarda Rodrigues, que foi munida com dossiers para esta reunião referentes a processos-crime contra cidadãos angolanos que desviaram fundos públicos ao Estado angolano, entre os quais Isabel dos Santos e o marido Sindika Dokolo

A justiça portuguesa mandou congelar dezenas de contas bancárias de Isabel dos Santos e das suas empresas, bem como do seu marido Sindika Dokolo, que estão domiciliadas em bancos portugueses, revelou ao Jornal Económico fonte próxima ao processo.

A atuação da justiça portuguesa surge depois de no início deste ano o Tribunal Provincial de Luanda ter decretado o arresto preventivo de contas bancárias pessoais da empresária angolana Isabel dos Santos, do marido, Sindika Dokolo, e do gestor português Mário da Silva, além de nove empresas nas quais detêm participações sociais como a Unitel, Zap, BFA, Contidis.

Este arresto preventivo de contas está relacionado com um processo de condenação para pagamento de mais de 1,1 milhões dólares (mil milhões de euros) ao Estado, por prejuízos provocados nas empresas públicas de petróleo (Sonangol) e de diamantes (Sodiam). Segundo a PGR de Angola, Isabel dos Santos, Sindika Dokolo e Mário Silva celebraram negócios com o Estado angolano através da Sodiam e com a petrolífera estatal.

Ler mais
Relacionadas

PGR de Angola confirma pedido de congelamento de contas de Isabel dos Santos

A PGR de Angola confirmou ao Jornal Económico que pedido de congelamento de contas pessoais e de empresas de Isabel dos Santos foi “formalizado” em carta rogatória enviada após reunião, a 23 de janeiro, entre os Procuradores Gerais dos dois países. E que se insere no âmbito de arresto de bens da empresária em Angola, onde é acusada de ter lesado o Estado angolano em mais de mil milhões de euros.

Justiça portuguesa congela contas de Isabel dos Santos. Só no EuroBic foram bloqueadas mais de 10 contas

A justiça portuguesa mandou congelar dezenas de contas bancárias de Isabel dos Santos e das suas empresas, bem como do seu marido Sindika Dokolo, que estão domiciliadas em bancos portugueses, apurou o Jornal Económico. Congelamento surge depois de comunicação de operações suspeitas ao DCIAP e UIF da PJ e a pedido de cooperação judiciária de Angola.
Recomendadas

Football Leaks: Rui Pinto colocado em prisão domiciliária para colaborar com a PJ

Rui Pinto, criador do Football Leaks e autor das revelações do caso Luanda Leaks, que estava em prisão preventiva desde 22 de março de 2019, foi esta quarta-feira colocado em prisão domiciliária, indicaram os advogados à agência Lusa.

Prisão preventiva para quem estiver infetado e a violar quarentena

Para que a prisão preventiva seja aplicada é preciso que o Ministério Público peça medidas de coação mais pesadas nos casos de eventual crime de propagação de doença. Advogados dizem que “crime de desobediência não tem capacidade para responder aos problemas atuais” .

Empresário terá roubado dois milhões de máscaras na Galiza para vender em Portugal

De acordo com a polícia espanhola, o homem assaltou um armazém de uma empresa de produtos sanitários, inserido num módulo industrial nos arredores de Santiago de Compostela, e, posteriormente, terá entrado em contacto com um conjunto de “cidadãos portugueses”.
Comentários