Ministra da Saúde admite que confinamento vai durar até segunda metade de março

Marta Temido disse no final da sessão do Infarmed que “quanto maior é a intensidade do confinamento mais rápida é a redução do risco efetivo de transmissão”. E revelou ter solicitado à Direção Geral de Saúde a testagem de todos aqueles que contactem com infetados da Covid-19, mesmo que sejam considerados contactos de baixo risco.

MIGUEL A. LOPES/LUSA

A ministra da Saúde, Marta Temido, disse que o confinamento vai durar pelo menos até à segunda metade do mês de março. No final da reunião em que foi apresentada a situação epidemiológica da Covid-19 em Portugal, a governante disse que “quanto maior é a intensidade do confinamento mais rápida é a redução do risco efetivo de transmissão”.

“O atual confinamento tem de ser prolongado durante mais tempo. Para já no mês de fevereiro e depois sujeito a uma avaliação, mas provavelmente por um período de 60 dias a contar do seu início”, disse Marta Temido.

Na sequência das apresentações feitas por epidemiologistas, a ministra confirmou que Portugal ainda se encontra com um nível “extremamente elevado, ainda que decrescente”, da pandemia de Covid-19, o que desaconselha o alívio imediato das restrições à movimentação no território nacional. E realçou o decréscimo na transmissibilidade do novo coronavírus resultante das medidas decididas em janeiro, nomeadamente o encerramento das escolas, não só no número de infeções como numa prevalência mais reduzida do que se temia da variante britânica do SARS-CoV-2.

Marta Temido colocou ênfase na necessidade do “alargamento e multiplicação da testagem massiva”, solicitando à Direção Geral de Saúde que os contactos de casos positivos, sejam ou não de alto risco, “beneficiem sempre de um teste”. Segundo a ministra, há capacidade do Serviço Nacional de Saúde e parceiros privados disponíveis para colaborar nesse processo de testes rápidos de antigénio, “para a cada momento podermos perceber o estado de circulação do vírus na população”.

“Precisamos de garantir a estabilidade dos resultados já alcançados. Nada está adquirido e ninguém está isento de cumprir as medidas basicas. Precisaremos deste período temporal para trazer o número de internamentos em cuidados intensivos abaixo de 200 e uma incidência cumulativa de casos por mil habitantes que consideremos adequados, geríveis e aptos a garantir um rastreio de contactos perfeito”, disse a governante.

Realçando o indicador da confiança na vacinação contra a Covid-19, Marta Temido contrabalançou esse dado com as dificuldades na obtenção de vacinas – depois de o coordenador da task force, vice-almirante Henrique Gouveia e Melo, ter revelado que menos de dois milhões das 4,4 milhões das doses previstas para o primeiro trimestre serão entregues -, garantindo que Portugal está a fazer tudo, no âmbito da União Europeia, para que “os contratos realizados sejam cumpridos e que as quantidades contratadas sejam entregues o mais breve possível”.

 

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