Mohan Munasinghe: Nobel da Paz diz que Portugal pode ser exemplo de sustentabilidade

“Portugal é um país pequeno, mas são exactamente os países de menor e de média dimensão que podem contribuir mais para o progresso sustentável, dando exemplo aos países de maior de dimensão”, como os EUA ou a China, disse Mohan Munasinghe, prémio Nobel da Paz em 2007.

Cristina Bernardo

Em 2017, mais de um sétimo da população mundial vivia na China e, nos últimos setenta anos, os Estados Unidos têm a maior economia mundial. Com estes números, é natural que o impacto que estes dois ‘gigantes’ têm na sustentabilidade seja mais acentuado que o de países mais pequenos, como Portugal.

No entanto,  segundo Mohan Munasinghe, são estes países que podem dar o exemplo sobre o progresso sustentável. “Portugal é um país pequeno, mas são exatamente os países de menor e de média dimensão que podem contribuir mais para o progresso sustentável, dando exemplo [aos países de maior de dimensão]”, como os EUA ou a China, referiu o professor, natural do Sri Lanka, e Nobel da Paz em 2007, um prémio que partilhou com o norte-americano Al Gore.

A tecnologia desempenha um papel importante na troca de informação e de exemplos de práticas sustentáveis entre os países do mundo. Assim, as distâncias entre os países não assustam o professor.

“A tecnologia consegue ‘saltar’ grandes distâncias e permite juntar informação”, disse Musaninghe. “As pessoas que vivem numa cidade da China podem seguir o exemplo [de sustentabilidade] do que se faz numa cidade” noutro país.

Mas o Nobel da Paz alertou que a utilização disseminada da tecnologia encerra um “problema severo” para o tema da sustentabilidade e, dentro dele, das alterações climáticas: as fake news.

“Eu trabalho há muito tempo numa agência que representa 99% dos cientistas que acreditam nas alterações climáticas. E 1% dos cientistas não acreditam nas alterações climáticas. Mas na comunicação social [internacional], os dois lados têm o mesmo peso”, frisou Munasinghe.

Este foi apenas um dos muitos temas abordados por Mohan Munasinghe, o orador convidado da conferência “O Mundo depois das Alterações Climáticas”, promovido pelo Jornal Económico e pelo Grupo Bel, que se realizou esta manhã em Lisboa.

Para o professor do Sri Lanka, é necessário fazer reformas estruturantes na sociedade, incluindo o sistema financeiro. Neste sentido, “os investimentos na área da sustentabilidade são extremamente importantes à escala global”, começou por referir Munasinghe. “Por exemplo, tornar os métodos de produção mais eficientes: imaginem a diferença que faria produzir com apenas 25% dos recursos que são utilizados”, frisou.

Mas o Nobel da Paz não acredita numa alteração comportamental que venha de dentro do sistema financeiro – será a sociedade civil a fazê-la.

“Quando os consumidores pedem sustentabilidade, os produtores vão adaptar-se. Existem muitas formas para influenciar e, se os consumidores se tornarem mais sustentáveis, o sistema segui-los-á”, defendeu Munasinghe.

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