Montepio Crédito prepara emissão de 200 milhões de títulos ABS Car Loan

Esta é uma forma de obter liquidez alternativa à formas tradicionais de financiamento através da casa-mãe, que neste caso é o Banco Montepio. Pedro Alves está no Salão Automóvel de Frankfurt onde o carro eléctrico, o aproveitamento da Internet das Coisas e a introdução da rede móvel 5G são algumas das novidades do certame.

O presidente do Montepio Crédito, Pedro Gouveia Alves, disse ao Jornal Económico que estão a preparar uma emissão de títulos de dívida ABS Car Loan (Asset-backed security).

“Prevemos emitir 180 a 200 milhões de euros no início de 2020”, disse o presidente desta financeira especializada em crédito ao consumo.

No fundo trata-se de um instrumento de titularização do crédito automóvel que tem normalmente um prazo de três a cinco anos.

Os empréstimos para automóveis representam o segundo maior subsetor do mercado de ABS.

Pedro Gouveia Alves explicou que “consideramos que existe neste momento uma oportunidade no mercado internacional, uma vez que os investidores consideram este tipo de ativos de muito boa qualidade face aos disponíveis no mercado de investimento”.

Esta é uma forma de obter liquidez alternativa à formas tradicionais de financiamento através da casa-mãe, que neste caso é o Banco Montepio.

“Estas emissões, no passado recente, estavam em níveis de juros de 120 a 150 pontos base, mas as atuais condições de mercado podem permitir uma emissão a juros mais baixos, entre 50 a 80 pontos base”, explicou o gestor.

O Montepio Crédito, sendo uma subsidiária do Banco Montepio ainda não apresentou resultados do semestre, mas o Jornal Económico sabe que até junho o produto bancário cresceu a um ritmo superior, 25% face a junho do ano passado. Isto porque houve uma melhoria na margem financeira e na margem financeira complementar (comissões e serviços).

“Isso deve-se ao excelente desenvolvimento do cross-selling de seguros e serviços especializados na área automóvel”, diz Pedro Alves.

A carteira de crédito subiu 20,3 milhões de euros no primeiro semestre, ou 4,7%, essencialmente impulsionado pelo crédito automóvel que representa 69% do total da carteira. Sendo os restantes 26% crédito para compra de equipamentos e 5% crédito pessoal unsecured (sem garantias).

Em termos de segmentos a carteira do Montepio Crédito é composta por 53% de crédito a particulares  (consumidores); 40% a empresas e 7% pequenos negócios.

O presidente do Montepio Crédito está em Frankfurt, no Salão Automóvel que traz ao mercado novos carros menos poluentes, com o carro eléctrico a ser o mais popular do certame.

A partir de 2020, as regras sobre emissões voltam a mudar. A União Europeia decretou que cada automóvel pode emitir até um máximo de 95 g/km e ameaça com multas pesadas para os incumpridores. Cada grama a mais pesará 95 euros às marcas, ainda que haja factores de ponderação. Isso explica as opções das marcas pelo desenvolvimento de modelos híbrido plug-in.

“Esta vai ser a tendência das próximas duas décadas”, diz Pedro Alves que admite ainda um espaço crescente para os carros movidos a electricidade com origem na pilha de hidrogénio.

A preocupação com o ambiente justifica por exemplo que a Bosch esteja a desenvolver diesel sintético sem emissão de CO2.

Pedro Alves, questionado sobre se há preocupações no mercado do crédito com a rápida evolução tecnológica do setor automóvel, disse que, na sua perspetiva “o mercado automóvel vai evoluir em termos de diversificação de fontes energéticas”.

“Até  agora era fácil determinar à partida os valores das viaturas no mercado de segunda-mão porque se cingia essencialmente a carros a diesel ou a gasolina, isso permitia que na altura do financiamento tivéssemos uma maior certeza do valor do colateral (garantia). Mas o mercado está a evoluir para uma diversificação que introduz incertezas”, disse o presidente do Montepio Crédito.

“Hoje o mercado é diesel, gasolina, híbrido plug-in gasolina, híbrido plug-in diesel e eléctrico”, adianta.

Como a tecnologia automóvel não está estabilizada, o valor destes bens em segunda-mão tendem a alterar-se rapidamente com a introdução de melhores tecnologias”.

O Montepio Crédito desenvolveu no grupo Montepio a sua própria frota de veículos eléctricos. “Um estudo sobre o benefício da adopção de veículos eléctricos revela poupanças significativas em termos fiscais, uma vez que as viaturas deduzem o IVA na totalidade e estão isentas de tributação autónoma; e no consumo, onde se estima que seja cerca de 80% mais barato que os carros movidos a combustíveis fósseis.

“Nesse sentido o Montepio Crédito estabeleceu acordos com fabricantes de veículos eléctricos para o desenvolvimento de campanhas de crédito junto da rede comercial do Banco Montepio para a compra de veículos eléctricos via leasing ou renting”, anunciou o gestor que destaca aqui a marca Tesla que está em primeiro lugar no top de vendas de carros eléctricos em Portugal. Vendeu até 31 de agosto 1.321 unidades, o que representa 2,6% das vendas de ligeiros.

As vendas de automóveis ligeiros de passageiros caiu em agosto 6,1%, o que corresponde a menos 9.700 unidades do que no mês homólogo. Pedro Alves explica que durante o período de assistência económica e financeira a Portugal, o país registou um decréscimo significativo na venda de carros que só foram retomadas entre 2016 a 2018. Por isso Pedro Alves vê o ano atual como de correção técnica.

As vendas de carros na União Europeia está a cair 3,1%, dados do semestre. Menos do que em Portugal. Na Europa os carros eléctricos ainda só representam 1,5% das vendas, mas estão a crescer em torno dos 40% ao ano, explica o gestor.

Ler mais
Recomendadas

Apax Partner lança plataforma pan-europeia de seguros vida e gestão de fortunas

Depois da compra da GNB-Vida, a Apax-Partners lança a GamaLife, uma plataforma pan-europeia de seguros de vida e gestão de património. O novo presidente da ex-BES Vida é Matteo Castelvetri.

Novo Banco vende seguradora GNB Vida por 168 milhões de euros

O Novo Banco explicou, em comunicado, que “o preço fixo equivale a 168 milhões de euros para a base comparável de ativos subjacente ao preço de 190 milhões anteriormente comunicado, dado o decurso de tempo e a venda de imóveis da seguradora verificados entretanto”.

Novo Banco com participação qualificada na Cofina

O Novo Banco passou a ter uma participação superior a 2% na Cofina depois do seu Fundo NB Portugal Ações ter comprado títulos no mercado. A Cofina está em processo de aquisição da Media Capital.
Comentários