Montepio entrega plano de transformação aos trabalhadores dia 6. Previstas entre 600 a 900 saídas

Plano de transformação do Banco Montepio entregue aos trabalhadores dia 6 outubro e prevê a saída de, pelo menos, 600 pessoas, e um máximo de 900, através de reformas antecipadas e rescisões por mútuo acordo. Já estão identificados 37 balcões para encerrar, estando mais cerca de 40 em equação.

O Banco Montepio vai entregar o plano de transformação aos trabalhadores no próximo dia 6 de outubro e prevê a saída entre 600 a 900 pessoas.

O Jornal Económico teve acesso a uma comunicação interna enviada esta sexta-feira, 25 de setembro, aos trabalhadores do Banco Montepio, assinada em conjunto por Carlos Tavares, presidente do conselho de administração, e Pedro Leitão, presidente da comissão executiva, onde é realçado que “não existem linhas de pré-selecionados” para abandonarem o banco.

“Este programa será apresentado formalmente a todos os colaboradores no dia 5 de outubro estando atualmente em fase de consulta com os parceiros sociais e estruturas representativas dos trabalhadores”, lê-se na nota.

O plano — que é um plano de corte de custos — prevê ainda um reajustamento do quadro de pessoal. Para isso, o Banco Montepio diz que vai lançar “um programa destinado a criar oportunidades para os colaboradores que entendam sair”.

“Com base nos cenários analisados e nesse quadro plurianual, estima-se um intervalo máximo indicativo de redução de pessoas entre 600 a 900, tendo para o efeito sido requerida junto das entidades competentes a possibilidade de alargamento de quota para subsidio de desemprego, com o intuito de facultar protecção acrescida em situações de saída, facto que já foi partilhado com as estruturas representativas dos trabalhadores, esclarece o documento.

Estão previstas saídas de trabalhadores por reforma antecipada e rescisões por mútuo acordo.

O reajustamento do quadro de pessoal também abrange os trabalhadores que pretendam ficar no banco, estando a ser equacionadas “oportunidades de carreia profissional interna recompensadora e motivadora”, onde estarão a ser trabalhadas novas formas de trabalho, como o trabalho parcial, trabalho remoto e outras alternativas.

Este reajustamento prevê ainda “medidas de promoção de formação e reinserção no mercado de trabalho e de eventuais iniciativas empresariais autónomas por parte dos colaboradores que pretendam enveredar por esse caminho”.

O programa de reajustamento vai desenrolar-se num quadro plurianual, isto é, ao longo de vários anos.

O encerramento de balcões também foi abordado na comunicação assinada pelo chairman e pelo CEO do Banco Montepio. Trata-se, neste âmbito, de um “reajustamento operacional”, que vai acelerar a transição digital do banco. Por isso, e para “optimizar o mix de distribuição”, o banco já decidiu encerrar 37 balcões que considera “redundantes geograficamente”, estando ainda em análise “cerca de 40 balcões, segundo critérios de relevância geográfica, rentabilidade e dimensões do mercado”.

O objetivo do plano de transformação é tornar o Banco Montepio num banco “eficiente” e “rentável”. “Desta forma, pretendemos ajustar a nossa operativa e modelo de serviço aos clientes, aproximar os rácios de eficiência do Banco Montepio aos do sector bancário português, simplificar a estrutura do grupo e racionalizar a oferta”.

A comunicação revela que o Banco Montepio tem combatido em várias frentes que, em conjunto, justificam este plano de transformação. O modelo de negócio, lê-se, “tem vindo a sofrer mudanças sensíveis” devido ao impacto da tecnologia no comportamento dos clientes, e tem sido atacado pela “emergência de novos atores na indústria que colocam enorme pressão sobre as instituições bancárias”.

O chairman e o CEO do Banco Montepio explicaram que estas “evoluções estruturais” provocaram a necessidade de “mudança” e que foram “aceleradas pelos efeitos da pandemia Covid-19”.

“O contexto macro-económico mais pessimista tem um efeito imediato no nível de imparidades que os bancos têm de registar. As moratórias, medida justa e destinada a aliviar o esforço financeiro de famílias e empresas, implicam uma dificuldade acrescida na rotação de capital e na capacidade de os bancos financiarem a actividade económica. Este contexto tornou mais urgente o processo de ajustamento no Banco Montepio”, referiram Carlos Tavares e Pedro Leitão.

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