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Mota-Engil quer mudar de perfil, com concessões

Plano estratégico prevê um crescimento de 70% do volume de negócios até 2030. É uma multinacional, com a maioria dos projetos em África e na América Latina.
13 Março 2026, 06h50

A Mota-Engil quer alterar o seu perfil até 2030, aumentando o peso das concessões e reforçando a presença internacional, ao mesmo tempo que mantém a construção, a base do grupo, como motor principal de crescimento.

Hoje, a engenharia e construção continua a dominar. Em 2025, gerou cerca de 3,4 mil milhões de euros de receitas, o que corresponde a aproximadamente 64% do volume de negócios total, que ascendeu a 5,3 mil milhões de euros. As restantes atividades operacionais — recursos naturais e circularidade — representam cerca de 32% das receitas, enquanto as concessões têm ainda um peso limitado em termos de faturação direta, funcionando sobretudo como ativos de investimento e geração de fluxos de caixa de longo prazo.

É precisamente esse modelo que o grupo pretende alterar. No plano estratégico “Focus 2030”, a empresa liderada por Carlos Mota Santos assume que quer expandir o portefólio de concessões de cerca de mil milhões milhões de euros de valor contabilístico líquido, atualmente, para entre 1,5 mil e dois mil milhões de euros até ao final da década.

Se essa meta for atingida e tendo em conta o objetivo de nove mil milhões de euros de receitas em 2030, o peso económico dos ativos concessionados — em valor de capital investido — poderá representar entre cerca de 17% e 22% da faturação anual prevista, refletindo um reforço relevante da componente de receitas recorrentes e de longo prazo no modelo de negócio do grupo.

“Queremos construir plataformas regionais de concessões que nos permitam gerar receitas recorrentes e previsíveis, complementando a atividade de construção”, afirmou Carlos Mota Santos, CEO da Mota-Engil, na apresentação do plano estratégico.

Português com sotaque
A Mota-Engil é hoje uma empresa claramente internacional. Fala português, mas com sotaque. Em 2025, apenas 20% das receitas foram geradas na Europa, enquanto África representou 42% e a América Latina 38% do negócio total.

Esta distribuição reflete a aposta histórica da empresa em mercados emergentes com forte investimento em infraestruturas. Para 2030, a estratégia passa por aprofundar essa presença internacional, aproveitando os ciclos de investimento previstos em transportes, logística, energia e mineração em vários mercados.

“Estamos posicionados em regiões onde o investimento em infraestruturas vai crescer de forma estrutural”, afirmou Mota Santos. “O nosso objetivo é continuar a crescer com disciplina, selecionando projetos onde temos vantagem competitiva”, acrescentou.

A verdade é que quem quer crescer tem de estar presente nas economias com mais acelerados ritmos de expansão.

O plano estratégico define metas ambiciosas para o final da década. A Mota-Engil pretende aumentar as receitas de 5,3 mil milhões de euros em 2025 para cerca de nove mil milhões de euros em 2030, o que corresponde a um crescimento médio anual superior a 10%. Ao mesmo tempo, o grupo quer elevar o EBITDA de cerca de mil milhões de euros para mais de 1,6 mil milhões, mantendo margens operacionais iguais ou superiores a 18%.

Três anos de margem
A empresa parte para este ciclo apoiada numa carteira de encomendas que ascendia a 16 mil milhões de euros, no final de 2025, o equivalente a cerca de três anos de receitas, incluindo grandes projetos ferroviários, portuários e mineiros em África, América Latina e Europa.

Nas Américas, entre os projetos emblemáticos encontram-se o Tren Maya, no México, também o túnel submerso Santos–Guarujá, no Brasil, que representa um investimento de 1,2 mil milhões, e, ainad, os 31 projetos sanitários para o Peru, que deverão representar um valor de 18 mil milhões entre 2026 e 2028.

Em África, regista-se o corredor ferroviário do Lobito, em Angola, a linha Kano-Maradi, na Nigéria. Em Portugal, o Hospital de Lisboa Oriental e a rede de alta velocidade.

Além da construção e das concessões, o grupo está também a apostar em novas plataformas de negócio, nomeadamente na mineração, nos serviços industriais ligados ao petróleo e gás e nas atividades de economia circular, que incluem gestão de resíduos e produção de energia renovável.


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