MSF: mais uma construtora portuguesa a acabar na falência

A construtora tem dívidas reconhecidas de 753,5 milhões de euros, dos quais 259,3 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos.

Foi hoje decidido o triste fim de mais uma construtora portuguesa. A MSF foi mais uma empresa nacional do setor que não evitou terminar os seus dias num processo de falência irreversível.

Para hoje, dia 1 de fevereiro, estava agendada uma assembleia de credores da MSF Engenharia, com o objetivo de votar a liquidação dos ativos da construtora.

“Os credores da MSF Engenharia deliberaram hoje a apresentação de um plano de liquidação da construtora, cujas dívidas reconhecidas aos credores ultrapassam os 753,5 milhões de euros”, disse à agência Lusa o administrador da insolvência.

Em declarações à Lusa no final da assembleia de credores da construtora, que decorreu no Tribunal de Comércio de Lisboa, Jorge Calvete revelou que uma “esmagadora maioria” dos credores votou a favor da apresentação de um plano de insolvência com vista à liquidação dos ativos da empresa.

Traduzindo: este é o final da linha para uma das construtoras mais emblemáticas do setor nacional da construção civil na segunda metade do século XX, com quase meio século de história e assinatura em alguns dos maiores projetos de engenharia em Portugal e em vários continentes.

Na assembleia de credores da MSF Engenharia foi ainda deliberado manter “o estabelecimento em funcionamento, com estrutura reduzida”, de forma a assegurar os “trabalhos de uma liquidação controlada”.

Em causa está “o trabalho de pós-venda e de acompanhamento das obras que estão concluídas e que têm garantias bancárias, para que não haja incidentes, nem acionamento dessas garantias”.

A Lusa teve acesso a uma lista provisória de credores, com um total de 753,5 milhões de euros de dívidas reconhecidas, dos quais 24,788 milhões de euros aos cerca de 400 trabalhadores, 259,27 milhões de euros à Caixa Geral de Depósitos (CGD), 172,196 milhões de euros ao Novo Banco e 59,571 milhões de euros ao Masraf Al Rayan QSC, um banco do Qatar.

A administração da MSF Engenharia anunciou em dezembro de 2018 ter apresentado um pedido de insolvência da empresa, após ter “esgotado todas as vias para evitar este desfecho”.

Em comunicado enviado à Lusa, o conselho de administração da MSF Engenharia afirmou na altura que a empresa não conseguia assegurar recursos financeiros “para fazer face às despesas da sua atividade, em particular os salários vencidos”.

“Esgotadas todas as vias que se afiguravam como possíveis para evitar este desfecho, não resta outra alternativa que não seja a apresentação da MSF Engenharia, S.A. à insolvência”, defendiam os responsáveis da MSF Engenharia.

 

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