PremiumMurteira Nabo: “Bancos espanhóis vão liderar consolidação”

O antigo bastonário da Ordem dos Economistas considera inevitável uma nova consolidação na banca em Portugal, mas adverte que o Estado não está interessado em absorver mais bancos dentro da CGD.

Francisco Murteira Nabo, antigo presidente da Portugal Telecom e da Galp, e antigo bastonário da Ordem dos Economistas, em entrevista ao programa “Primeira Pessoa” da Plataforma JETV, considera que a crise económica provocada pela pandemia de Covid-19 vai acelerar a consolidação bancária. No entanto, prevê que a Caixa Geral de Depósitos não venha a integrar novos bancos no seu grupo estatal. Por isso admite que os grandes consolidadores vão encontrar-se entre os bancos globais espanhóis, vaticinando um novo crescimento do BPI e a sua provável mudança de marca.

Atendendo aos efeitos da pandemia de Covid-19 na economia portuguesa, como prevê que será a evolução da dívida pública portuguesa, que atingiu um máximo histórico no final de 2020, com 270,4 mil milhões de euros, mais 20,4 mil milhões de euros do que em dezembro de 2019. Como perspetiva a evolução da dívida pública nos próximos três a cinco anos?
A dívida já é elevada há muito tempo. Temos sido um país que tem utilizado mal os fundos europeus. Nos últimos 40 a 50 anos tivemos acesso a cerca de 50 mil milhões de euros de fundos, mas nunca conseguimos crescer sem nos endividarmos. Portanto, este é um problema antigo. Já não é de agora. Depois, com a crise que aconteceu, acabou por se agravar. Para os próximos sete a oito anos, vamos ter acesso a recursos europeus, quer do orçamento anual, quer do Plano de Recuperação e Resiliência, à volta de 50 mil milhões de euros, que correspondem praticamente ao mesmo que obtivemos nos últimos 40 anos. Isto é a oportunidade única de ter condições, sem dívida, ou com uma dívida baixa, digamos assim – ainda por cima com taxas de juro baixas – para conseguirmos fazer um plano de desenvolvimento estratégico e implementado de forma a conseguir debelar esta situação em que vivemos.

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