“Pôr em risco o Novo Banco pode ser o desastre total”, avisa Máximo dos Santos

“Essa é uma questão política e não posso estar a responder por matérias políticas. O que posso dizer é que o que eu acharia mais errado seria, chegados aqui, e fazermos qualquer coisa que pusesse em risco o Novo Banco. Era o desastre total”, disse o Presidente do Fundo de Resolução.

Cristina Bernardo

O presidente do Fundo de Resolução e vice-governador do Banco de Portugal disse hoje, no parlamento, que seria o “desastre total” se o Novo Banco fosse colocado em risco e disse acreditar numa resolução para o problema.

Luís Máximo dos Santos respondia à possibilidade de o Bloco só aprovar o Orçamento de Estado se não incluir o empréstimo do Estado que está garantido por contrato. “Essa é uma questão política e não posso estar a responder por matérias políticas. O que posso dizer é que o que eu acharia mais errado seria, chegados aqui, e fazermos qualquer coisa que pusesse em risco o Novo Banco. Era o desastre total”, referiu.

O presidente do Fundo de Resolução disse que “depois do esforço que foi feito, entrarmos num processo em que por qualquer razão o banco sofresse danos tremendos era negar o percurso e criar instabilidade financeira na pior altura”,

Luís Máximo dos Santos, acredita que “os problemas serão resolvidos”.

Em entrevista ao Expresso, este fim de semana, Catarina Martins fez depender a viabilização do orçamento do fim das transferências para o Novo Banco e da realização de uma auditoria por instituições públicas.

O Jornal de Negócios escreve esta quarta-feira que os bancos nacionais poderão ser chamados a entrar numa esquema de financiamento do Fundo de Resolução para resolver o problema de financiamento para cumprir a última chamada de capital do Novo Banco ao mecanismo de capitalização contingente.

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Máximo dos Santos esclarece que as operações com partes relacionadas não são proibidas, têm é de ser autorizadas pelo Fundo de Resolução. “O contrato não proíbe” vendas a partes relacionadas, afirmou Máximo dos Santos, presidente do fundo que detém 25% do Novo Banco, na comissão de Orçamento e Finanças, esta quarta-feira. O que o contrato diz é que “até pode haver vendas a partes relacionadas desde que autorizadas pelo Fundo de Resolução, o que não houve”.

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