Queremos outros políticos, que estes não nos servem. Queremo-los jovens, sem vícios e cheios de promessas de futuro, mas, atenção, que venham com experiência comprovada, que a gestão do interesse público é para ser levada muito a sério; e que não seja experiência política, que não os queremos carreiristas, vindos das jotas, só com currículo político para mostrar. E, cuidado, que essa experiência não seja conseguida em empresas ou outras organizações com interesses inconfessáveis, mesmo que se confessem, porque todas elas os têm e, lá está, não os queremos ligados a eles; queremo-los desligados.

Queremos que sejam profissionais, especialistas de técnica robusta, profundos conhecedores, encartados, mas nunca das áreas em que trabalham ou tutelam, isso não, claro, que trariam consigo interesses de outros.

Muito menos queremos que tenham atividade própria, liberal, ou que tenham concretizado projetos e construído negócios, isso é que não, porque aí o interesse é evidente, é um interesse próprio, sem subterfúgios, e isso é inaceitável. E que nunca tenham falhado, porque não se pode aceitar o fracasso na vida, tampouco na gestão pública, onde não se vive o insucesso.

Queremo-los preferencialmente sem passado, porque com ele vêm interesses e nós queremo-los sem interesse, desinteressantes.

E têm de ser abertos e transparentes, para que vejamos através deles, sem substância alguma que nos tolde a vista; límpidos e cristalinos.

Também os queremos sem futuro, que não podemos tolerar que se aproveitem deste presente, à nossa custa, para singrar mais à frente; onde já se viu?

Só assim ficaremos bem servidos.