“Não seja uma mula de dinheiro”. Os avisos da Europol e da PJ para combater a lavagem de dinheiro

Muitas vezes, o contacto entre os criminosos e as “mulas” dá-se com contacto direto, email, aplicações de mensagens, como é exemplo o WhatsApp e o Messenger, as redes sociais como Facebook e Instagram e os anúncios online que se encontram nas janelas pop-up. Avise o seu banco e a PJ se desconfiar que faz parte de um operação de lavagem de dinheiro.

Leonhard Foeger/Reuters

A Europol anunciou que deteve 228 indivíduos na sequência de uma megaoperação de combate à lavagem de dinheiro, sendo que Portugal encontrava-se entre os 31 países onde a operação da autoridade teve lugar. As autoridades europeias identificaram um total de 3.833 “mulas” que transferem o dinheiro ‘sujo’ entre os países.

De forma a evitar aliciamentos, a Europol deixou um aviso de como estas “mulas de dinheiro” são contactadas e qual o perfil que os criminosos procuram para o esquema de lavagem de dinheiro. Sabe-se que em Portugal foram detidas 37 pessoas por branqueamento de capitais, segundo indicou a Polícia Judiciária.

O que são mulas de dinheiro?

Este é um tipo de lavagem de dinheiro. Ao contrário das mulas de droga, este tipo de lavagem de dinheiro não envolve o transporte de um produto ilegal entre países.

A mula de dinheiro é uma pessoa que recebe dinheiro de outra pessoa na sua conta bancária e depois o transfere para outra pessoa, ou levanta o dinheiro e entrega-o a alguém, obtendo uma comissão.

Apesar da mula não estar diretamente envolvida nos crimes de origem, cibercrime, fraude, tráfico de drogas e de pessoas, tornam-se cúmplices destas ilegalidades, pois lavam a origem do dinheiro.

Segundo a Europol, as mulas ajudam “as organizações criminosas a permanecerem anónimas enquanto movimentam dinheiro pelo mundo”.

Quem é que os recrutadores procuram?

Nestes esquemas criminosos, os aliciadores procuram “pessoas com menos de 35 anos”, chegando mesmo a contratar menores para estas operações de lavagem de dinheiro. Os grupos tentam ainda procurar “recém-chegados ao país”, “desempregados, estudantes ou pessoas com dificuldades económicas”, por muitas vezes procurarem dinheiro fácil.

Como muitas vezes as pessoas estão desesperadas por dinheiro, os criminosos procuram os mais vulneráveis, sendo que a “mula de dinheiro” só precisa de transferir fundos de uma parte para a outra, seja no digital ou em dinheiro, obtendo ainda uma comissão pelo trabalho realizado.

Como tem lugar o contacto entre recrutadores e mulas?

Muitas vezes, o contacto entre os criminosos e as “mulas” dá-se com contacto direto, email, aplicações de mensagens, como é exemplo o WhatsApp e o Messenger, as redes sociais como Facebook e Instagram e os anúncios online que se encontram nas janelas pop-up. A Europol, em conjunto com a Polícia Judiciária, alertam que “para que o esquema pareça autêntico, pode ser copiado um endereço genuíno no site de uma empresa”, ou o mais semelhante a uma entidade empregadora possível.

Assim, as duas entidades alertam que é sempre necessário investigar a empresa ou pessoa que lhe oferece um emprego, nunca fornecer a conta bancária sem ter plena confiança na pessoa e que se deve recusar “ofertas de dinheiro fácil”, porque “se parece bom demais, provavelmente é”.

Sinais de alerta

A Europol e a PJ ajudam ainda a detetar alguns sinais de alerta em como está a ser enganado na história do ‘dinheiro fácil’. O primeiro sinal de alerta devem ser os “contactos não solicitados prometendo dinheiro fácil”, seguindo-se os “anúncios de empresas internacionais procurando ‘agentes locais/nacionais’ para agir em sua representação”. Um dos sinais mais fáceis de detetar o engodo é pelo correio eletrónico que está associado à “empresa”, sendo que normalmente utilizam endereços genéricos como Hotmail ou Gmail, e não a terminação da empresa em questão.

Muitas vezes, a má estrutura de frases com erros gramaticais ou ortográficos podem ser um sinal vermelho para detetar o esquema em que se está a envolver. Todas as oportunidades de emprego de empresas verídicas têm requisitos educacionais, sendo que se a ‘oportunidade única’ não tiver requisitos de educação ou experiência anterior pode significar esquema criminoso. Um dos sinais é ainda a necessidade de utilizar a sua conta bancária pessoal para transferir dinheiro.

O que fazer se desconfiar se está envolvido numa destas redes?

“Se desconfia que está envolvido num esquema de “money muling”, não faça mais transferências de dinheiro.
Informe o seu banco, o serviço usado para realizar transferências e a Polícia Judiciária”, segundo a PJ.

Mais de 650 bancos, 17 associações bancárias e outras instituições financeiras reportaram 7.520 transações de dinheiro fraudulentas, ajudando a impedir a perda de 12,9 milhões de euros. As verbas apreendidas pelas autoridades europeias ascenderam a oito milhões de euros em bens físicos ou contas bancárias, enquanto foram ainda apreendidos 330 mil euros em dinheiro.

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