Nata2: Novo Banco retira 10 créditos de mais de 300 milhões para vender à parte

Venda do Nata 2 provoca perdas de 106 milhões de euros ao Novo Banco, mas aumenta o capital e reduz o rácio de NPL. O desconto da carteira na venda ronda os 89% face ao valor contabilístico bruto.

Cristina Bernardo

A venda da carteira de créditos não produtivos (non-performing loans) e ativos relacionados (no seu conjunto, Projeto Nata II) com um valor original (outstanding balance) aproximado total de 2.732 milhões de euros e um valor bruto contabilístico de 1.713 milhões de euros ao fundo Davidson Kempner por 191 milhões de euros, terá um impacto negativo na conta de exploração do Novo Banco de 106 milhões de euros em 2019. Isto é, os prejuízos do banco vão ser agravados com estas perdas. Em contrapartida há um efeito positivo no capital, diz o banco.

Mas a instituição liderada por António Ramalho ainda vai ter um upside no valor da venda porque, segundo revelou fonte ao Jornal Económico, retirou previamente a este pacote (Nata 2) 10 dos 60 créditos que inicialmente estavam nesta carteira. Isto porque considera que os pode vender à parte e ganhar mais do que os vendendo neste pacote que implicou um desconto muito grande sobre o valor contabilístico.

O facto de o Novo Banco ter retirado do Nata 2, dez créditos de grandes devedores explica que o valor da carteira tenha baixado dos iniciais 3,1 mil milhões para 2,7 mil milhões. Isto significa que o valor original desses 10 créditos oscila entre os 300 a 400 milhões de euros. “O banco decidiu desde o início do processo reservar a possibilidade de retirar créditos incluídos inicialmente no projeto Nata II, desde que tivesse melhores propostas individuais, o que aconteceu com cerca de uma dezena de casos”, refere fonte do Novo Banco.

O ‘Projeto Nata 2’ contava com 60 a 70 créditos de grandes devedores , dos quais apenas um terço tem colaterais e garantias reais (cerca de 1.000 milhões),enquanto os restantes financiamentos não apresentam quaisquer garantias (unsecured). Cerca de um quinto dos créditos são de empresas fora de Portugal, a maioria em Cabo Verde. A maioria dos créditos são nos setores da construção e imobiliário.

O desconto implícito nesta venda anunciada hoje é de 35% sobre o valor líquido (o que prova que esta carteira de créditos já tinha um nível muito elevado de imparidades). Isto significa que o valor líquidos era de 545,7 milhões. Já o desconto é de 89% sobre o valor bruto contabilístico. O que significa que este valor bruto era de cerca de 215 milhões. “A diferença entre o Valor Bruto Contabilístico e o Valor Original outstanding decorre de neste estarem incluídos compromissos, garantias e até write-off”, diz o banco.

O Novo Banco anunciou que após a conclusão de um processo de venda competitivo, o banco e o seu Arrábida – Fundo Especial de Investimento Imobiliário Fechado celebrou com o veículo Burlington Loan Management DAC, uma sociedade afiliada e aconselhada pelo fundo norte-americano Davidson Kempner, um contrato de compra e venda de uma carteira de créditos não produtivos (non-performing loans) e ativos relacionados (Projeto Nata 2). Esta operação, a maior realizada em Portugal, “beneficiou de condições de mercado positivas, designadamente de taxas de juro”, explica o banco.

Com a venda desta carteira de crédito de muito difícil cobrança, como são os casos dos créditos incobráveis da Sogema, de Bernardo Moniz da Maia, que tem o valor indicativo de 540 milhões de euros (o que incluirá juros) e os créditos da Ongoing, de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, que têm o valor indicativo de 350 milhões de euros, a que acresce 240 milhões em papel comercial da holding que era dona do Diário Económico, o rácio de NPL’s do banco reduz-se para 15% (20,7% no final do semestre).

O processo de redução do rácio de NPL’s dá cumprimento às exigências regulatórias. Recorde-se que os bancos da zona euro devem de reduzir este rácio para 5% em 2020, por recomendação das entidades europeias.

A Sogema e a Ongoing são os maiores devedores no portefólio de crédito malparado que o Novo Banco acaba de vender.

A carteira que foi hoje alvo do contrato de promessa está ainda sujeita a ajustamentos  de perímetro “usuais nestas transações até à sua concretização”.

O Novo Banco prevê que a transação se conclua nos próximos meses, “assim que reunidas todas as condições necessárias à sua formalização”, lê-se no comunicado.

A instituição assegura que esta transação representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não produtivos (NPA – non-performing assets) e permitirá acelerar a sua redução.

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