Navigator: novas leis sobre plantação de eucaliptos são “preocupantes” e “não resolvem o problema”

A papeleira teceu fortes críticas ao novo regime jurídico sobre arborização e rearborização, que proíbe novas áreas plantadas de eucalipto. A empresa defende que “as medidas discriminatórias não têm qualquer justificação científica e levarão a um maior abandono das propriedades rurais.

Miguel Vidal/Reuters

A proposta legislativa aprovada no dia 19 de julho de 2017 na Assembleia da República, que proíbe novas áreas plantadas de eucalipto e introduz mecanismos que condicionam negativamente a replantação com a espécie está a causar “muita preocupação” à Navigator, a principal papeleira portuguesa.

No comunicado de apresentação dos resultados do segundo trimestre, a empresa recorda que a proposta legislativa que altera o regime jurídico aplicável às acções de arborização e rearborização apenas permite plantações de novas áreas por troca com plantações já existentes, impondo, neste caso, uma redução gradual, de tal forma que, ao fim de cinco  anos, o rácio de novas áreas de eucalipto irá corresponder a metade de cada hectare de floresta de eucalipto dado em compensação.

“Estas medidas discriminatórias não têm qualquer justificação científica, económica ou ambiental, e terão como consequência, imediata e a prazo, um ainda maior abandono de propriedades rurais em Portugal. E não irão resolver o problema dos fogos florestais no nosso país já que a principal causa por detrás desta realidade é a acumulação de matéria combustível no espaço rural. Um povoamento florestal pouco gerido, abandonado e com elevada densidade de mato reage ao fogo de forma semelhante, independentemente da espécie dominante”, defende a empresa.

Adianta que o eucalipto é uma das espécies que menos área ardida tem nos últimos 15 anos, citando dados do ICNF, abaixo do pinheiro bravo e “muito abaixo dos matos e incultos que representam mais de metade de toda a área ardida em Portugal”. A Navigator salienta que “tem vindo a defender a importância da prevenção como ferramenta determinante na mitigação dos riscos de incêndios, criando oportunidades de combate por construção e manutenção de infraestruturas de penetração no espaço 13 florestal e reduzindo a matéria combustível nesses espaços. Estas medidas devem ser enquadradas numa política que premeie a gestão florestal certificada”.

Explica que nas florestas da Navigator as áreas ardidas são inferiores a 1% da área sob gestão, “o que reforça a evidência de que uma floresta organizada e bem gerida é menos vulnerável ao risco de incêndios”

“A implementação desta legislação irá resultar, como é óbvio, no agravamento do já muito oneroso peso das importações de matéria-prima para a indústria de pasta de eucalipto. Perdem as empresas deste sector, que vêem agravada a sua competitividade externa, e perde o País, sob a forma de escoamento de divisas e de destruição de postos de trabalho”, conclui a papeleira.

Numa nota sobre os incêndios ocorridos em Junho em Pedrógão Grande a Navigator refere que, com a Altri, estive envolvida “desde a primeira hora no combate aos incêndios, com as suas equipas de sapadores florestais, nomeadamente através do dispositivo da Afocelca”.

“As perdas humanas decorrentes destes incêndios foram dramáticas e sem paralelo na história, estando ambas as empresas solidárias com todos aqueles que foram afectados por esta tragédia”, adianta.

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