Navigator recuperou terreno perdido no segundo trimestre e lucrou 31 milhões de julho a setembro

Segundo um comunicado da produtora de pasta e papel enviado há minutos para a CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, entre julho e setembro do presente ano, a Navigator registou “forte aumento do volume de negócios”, recuperou ao nível do EBITDA e reduziu a dívida, concluindo que a “empresa apresenta grande solidez”.

A The Navigator Company (ex-Portucel) recuperou no terceiro trimestre deste ano o terreno perdido no trimestre anterior, devido ao impacto da pandemia de Covid-19.

Segundo um comunicado da produtora de pasta e papel enviado há minutos para a CMVM – Comissão do Mercado de Valores Mobiliários, entre julho e setembro do presente ano, a Navigator registou “forte aumento do volume de negócios”, recuperou ao nível do EBITDA e reduziu a dívida, concluindo que a “empresa apresenta grande solidez”.

“Nos últimos três meses (3º trimestre) a Navigator conseguiu registar um forte aumento do volume de negócios que totalizou 347 milhões de euros, crescendo 20% – o que espelha o forte desempenho comercial em contexto adverso que conjugado com a manutenção de um forte corte de custos fixos e variáveis permite um crescimento da rentabilidade muito significativo num contexto de crise: EBITDA atingiu 70 milhões de euros (+ 36% vs. 2ºT 2020) e a margem EBITDA/Vendas situou-se em 20,2% (vs. 17,8% 2ºT 2020)”, destaca o referido comunicado.

De acordo com esse documento, as vendas de papel da Navigator cresceram 45% face ao segundo trimestre deste exercício.

Assim, parece que os tempos piores para a Navigator já passaram, em comparação com o período entre abril e junho deste ano, em que a empresa, “pela primeira vez na sua história (…) teve de parar as máquinas de papel”.

“A pandemia confinou o Mundo inteiro, ao mesmo tempo, e durante vários meses provocando uma quebra sem precedentes nas encomendas e obrigou a empresa a adotar medidas excecionais, tanto ao nível do desempenho comercial (receitas) como ao nível da redução de custos, de modo a ultrapassar o forte impacto provocado pela Covid-19”, resume a administração da produtora de pasta e papel.

Os responsáveis da Navigator salientam ainda que este terceiro trimestre de 2020 foi marcado “pela retoma dos ritmos de produção de papel e de pasta”.

“Todas as máquinas de UWF (papel de impressão e escrita) do grupo voltaram a laborar, verificando-se uma recuperação progressiva da procura face à situação verificada no segundo trimestre”, destaca o comunicado em apreço.

Desta forma, os resultados líquidos da Navigator no terceiro trimestre deste ano atingiram os 31 milhões de euros, aumentando 133% em relação ao trimestre anterior (-41% vs 3ºT 2019), enquanto a geração de ‘free cash flow’ no mesmo período se fixou nos 56 milhões de euros (vs 99 milhões de euros no 2ºT 2020).

O endividamento líquido da Navigator “reduziu-se de forma significativa, em 132 milhões de euros, para 644 milhões de euros”, assinalando a administração que a empresa “reforçou ainda a liquidez em caixa e equivalentes para 345 milhões de euros”.

O comunicado em questão salienta ainda que a Navigator concluiu em setembro o projeto de substituição da caldeira de gás natural pela caldeira de biomassa da Figueira da Foz.

“Este investimento, financiado em 50% pelo BEI – Banco Europeu de Investimento, vai permitir a redução das emissões de Co2 [dióxido de carbono] na fábrica da Figueira da Foz em 81%, assim como uma poupança de custos significativa”, assegura o documento em questão.

Em termos comerciais, os responsáveis da Navigator acentuam que o papel de impressão e escrita registou uma “recuperação consistente”, uma vez que o fim do confinamento fez regressar as vendas de papel UWF, um capítulo em que a Navigator reclama ter estado melhor que a concorrência.

“O terceiro trimestre de 2020 ficou marcado pela retoma gradual da procura de papéis de impressão e escrita (UWF), depois de um segundo trimestre muito influenciado pelas medidas de confinamento e consequentes impactos ao nível do consumo de papel”, sintetiza o comunicado em análise, acrescentado que “depois das fortes quedas verificadas em abril, a entrada de encomendas de papel na indústria europeia tem vindo a recuperar de forma clara e contínua, sendo a recuperação do papel UWF a mais sólida entre os diversos tipos de papéis”.

Os responsáveis da Navigator adiantam que, “durante o terceiro trimestre, a entrada de encomendas de UWF na indústria europeia (de clientes europeus) esteve já a 90% do que foi no terceiro trimestre de 2019, i.e. a melhor ritmo que todos os outros papéis”.

“Num enquadramento de recuperação gradual da procura, conjugado com uma grande pressão ao nível de preços de UWF e pasta, a Navigator conseguiu explorar a diversificação do seu modelo de negócio e registar um crescimento sequencial significativo no seu volume de negócios, destacando-se da concorrência”, assume a administração da produtora de pasta de papel.

Empresa antecipa benefícios de 10 milhões de euros aos colaboradores para apoiar famílias
A Navigator anunciou também que vai antecipar benefícios dos colaboradores para apoiar as respetivas famílias, considerando que é uma “empresa referência na atribuição de benefícios aos colaboradores, mesmo em tempos de crise”.

“A The Navigator Company vai antecipar e reforçar os benefícios dos seus colaboradores no sentido de os apoiar num período difícil que a economia do país atravessa, reconhecendo o esforço comum e o desempenho durante a pandemia. Apesar do forte impacto económico que a empresa tem sofrido, a sua robustez financeira e a confiança com que encara o futuro permitem a aplicação desta medida de partilha com os seus 3.200 trabalhadores e respetivas famílias”, explica o referido comunicado.

Segundo a administração da Navigator, “o pacote de benefícios, no montante agregado de cerca de 10 milhões de euros, passa pela antecipação do pagamento: do subsídio de Natal a todos os seus trabalhadores, das férias não gozadas e das folgas acumuladas a 31 de dezembro de 2019, e ainda de uma gratificação extraordinária, permitindo assim um reforço dos rendimentos e da liquidez dos respetivos agregados familiares”.

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