No epicentro da 4ª Revolução Industrial

A regra de quem sobrevive é o que mais se adapta à mudança nunca foi tão verdadeira como nos tempos que correm.

A onda da 4ª Revolução Industrial que agora se materializa é um mundo onde as linhas do físico e do digital estão esbatidas e se misturam. Dificilmente saberemos onde acaba uma e começa a outra. Trata-se de uma nova onda tecnológica que traz transformações profundas nas vidas das pessoas e das empresas. Um mundo novo, onde as novas tecnologias têm um avanço tão profundo que impactam modelos de negócio, empregos, estilos de vida e a própria economia.

Mas, na crista desta onda de oportunidades, existe também desconforto e incerteza para o futuro de cada um. Uma revolução é mais do que uma mudança, é uma alteração às regras do jogo. Uma alteração da forma como se vive e das prioridades. Traz muitas incertezas, nomeadamente em relação à automação, à possibilidade dos postos de trabalho se tornarem obsoletos.

Mas há que olhar para o outro lado, o lado das oportunidades, do crescimento constante e da saída da zona de conforto. É uma oportunidade para criar o nosso próprio futuro, com recurso a todas as ferramentas novas que aparecem.

Tudo está a mudar muito rapidamente. Prevê-se que 20 milhões de empregos sejam perdidos para a tecnologia até 2020. Isso implica que as pessoas estejam mentalizadas de que o emprego requer uma inovação constante, um crescimento crescente e a saída da zona de conforto. O conceito tradicional de trabalho estável acabou.

Só há uma forma de olhar para esta conjuntura, sendo que o único caminho é abraçar a mudança, tomar consciência de que tudo vai mudar e agarrar a oportunidade. Temos muita sorte em presenciar este acontecimento e vivermos esta época mágica. Uma época onde tudo é possível, onde as regras do jogo mudam, onde as principais ameaças às empresas são startups, e não multinacionais.

Estamos numa época em que a Inteligência Artificial já faz muito melhor do que os humanos, com um crescimento de qualidade assustador. Teremos uma quantidade de ferramentas tecnológicas que funcionarão como uma extensão dos humanos. Os advogados, por exemplo, não precisarão mais de trabalhar na base da pesquisa de conhecimento e serão valorizados com base na especialização. No que toca à segurança, o reconhecimento facial será mais eficiente do que qualquer humano.

Multiplicam-se os exemplos em todas as áreas e setores. O sistema de carros automáticos irá baixar o número de acidentes nas estradas, salvará vidas e mudará drasticamente o modelo de seguros automóveis. Os negócios terão como base a IoT, onde partimos do princípio que todos os objetos poderão ganhar a capacidade de comunicar a partir da tecnologia atual, alavancada certamente pela tecnologia 5G, que está à porta e pronta para entrar e acelerar ainda mais esta transformação económico-social.

Os negócios serão em tempo real, ninguém aceitará nada menos do que isto, tudo será instantâneo e terá sempre associado tempos de entrega previstos ou tempos de execução projetados, com base em dados fiáveis.

Hoje, as startups têm uma grande vantagem relativamente aos gigantes empresariais. Podem ser construídas e desenhadas a partir de novos modelos de negócio, possíveis na realidade atual e com a tecnologia existente. Se olharmos para o mercado, vemos já muitos exemplos de casos de sucesso a este nível, incluindo multinacionais, líderes mundiais, que não existiam há dez anos atrás. Está na altura de redesenhar processos, negócios e fazer acontecer novos projetos, aproveitando a época de mudança e oportunidade.

Uma revolução é uma mudança drástica. É acabar com modelos de negócio de décadas ou até de séculos. Se olharmos para o exemplo da Uber, vemos que acabou com o modelo tradicional dos transportes, melhorando a qualidade, a segurança e a conveniência. Tudo porque a tecnologia permitiu a existência de smartphones avançados (minicomputadores) com pacotes de dados rápidos e acessíveis, tornando possível uma quantidade de ações que antes não eram sequer imagináveis. Isso impacta a economia e a sociedade, tornando até necessário a criação de novas leis.

A regra de quem sobrevive é o que mais se adapta à mudança nunca foi tão verdadeira como nos tempos que correm. Numa altura em que até o sistema financeiro está a mudar, com a bitcoin e a libra, num mundo onde, todos os dias, lemos novidades em todos os sectores, o resultado é o entusiasmo geral com as novas frentes de oportunidade que se abrem. O empresário de hoje tem de ter o mindset da mudança, porque o que funciona hoje não é certo que funcione amanhã.

É uma época entusiasmante para todos e onde temos a enorme responsabilidade de criar valor e um contributo único para um futuro melhor.

Recomendadas

Três ideias chave para o futuro

Pessoa escreveu que Deus quer, o Homem sonha, a obra nasce. E o sonho é conseguir “ver as formas invisíveis, da distância imprecisa”. No Jornal Económico, estamos desde setembro de 2016 unidos no sonho de criar um jornal independente e ao serviço dos leitores, oferecendo-lhes jornalismo de qualidade.

Um novo paradigma: jurista global e digital

Não menos importante do que preparar os novos juristas para trabalhar num mundo global, é desenvolver neles um forte sentido crítico e a consciência de que o Estado de Direito democrático não é um dado adquirido.

Menos impostos, mais crescimento

Não havendo vontade política para uma efetiva descida dos impostos sobre as empresas, deveria no mínimo proceder-se à simplificação do IRC.
Comentários