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“No mar somos todos iguais”: escola quer levar surf adaptado a mais alunos

A escola “NossaOnda Surf Adaptado” faz dos domingos em Carcavelos o melhor dia da semana para um grupo de praticantes muito especial. Agora, querem crescer e dar a mesma oportunidade a mais surfistas.
21 Março 2026, 12h00

Chama-se Joaquim Delgado, tem 68 anos, aguenta três minutos debaixo de água e entra no mar todas as semanas. Esta constatação nada teria de extraordinária se Joaquim não fosse tetraplégico e um dos exemplos mais fortes do impacto do surf adaptado em Portugal, contando com uma prancha adaptada para a prática da modalidade.

Mais do que isso: a sua presença no mar, todas as semanas, é uma prova de como o surf pode ser uma forma de liberdade e de fomentar a ligação com o oceano, apesar de todas as limitações físicas. E porque o oceano tem uma capacidade única de ligar pessoas, a escola NossaOnda Surf Adaptado nasceu a partir da amizade de dois surfistas que cresceram no mar e que há mais de cinco anos têm encontro marcado nas praias para dar aulas de surf a pessoas com necessidades especiais em Carcavelos.

Tudo começou como voluntariado mas acabou por transformar-se numa comunidade que junta alunos, famílias e instrutores todas as semanas.

Domingo é o dia mais esperado em Carcavelos

António Oliveira e Miguel Costa são os dois amigos que tornaram tudo isto possível. Ao JE, António Oliveira explica como tudo começou: “Começámos com a Associação Salvador, a dar aulas para um grupo de alunos com diversas necessidades especiais em Carcavelos. Foi aí que começámos a tomar o gosto por dar aulas de surf adaptado com este grupo incrível”, realça. A determinada altura, as coisas mudaram. Mas não mudou a vontade de continuar a ajudar este grupo: a sete alunos no espectro do autismo junta-se Joaquim Delgado, o surfista com quem iniciámos este artigo, apelidado como a maior inspiração do surf adaptado: “Só o Joaquim tem uma história que dava outra artigo”, desabafa António Oliveira. Para este alunos, o domingo é mesmo o momento mais esperado da semana: “O contacto com o mar ajuda na regulação emocional, na confiança e na relação com o mundo à volta. Os pais dizem-nos frequentemente que depois do surf os filhos passam o resto do dia mais calmos e mais felizes”.

Mas a equipa quer crescer. A ambição passa por dar aulas duas a três vezes por semana, garantir mais de trinta alunos ativos, uma equipa de instrutores dedicada e equipamento adaptado próprio. “Todas as semanas realizamos aulas de surf adaptado para pessoas com diferentes necessidades físicas e cognitivas. Cada sessão é preparada para garantir segurança, acompanhamento individual e tempo real dentro de água”, realça. Mas para que isso aconteça, a equipa atual precisa de apoio e de profissionalização.

Neste momento, a NossaOnda Surf Adaptado está à procura de apoios, sobretudo porque acreditam que é possível “expandir as nossas aulas, se já tivermos duas ou três aulas por semanas já é um feito inacreditável porque isso significaria mais ou menos dez alunos por sessão”. Além dos professores, a ideia é também ter a capacidade de contratar uma equipa de videografo e filmakers “para que possamos comunicar tudo através das redes sociais”, explica António Oliveira.


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