Nos cai mais de 7% e arrasta PSI-20. Bolsas da Europa fecham semana em queda

A atividade na Zona Euro teve um registo surpreendente em fevereiro. Mas não chegou para animar os investidores. Em Lisboa a queda aparatosa da NOS contrasta com a subida da Jerónimo Martins e da Novabase. O BCP caiu depois de apresentar contas.

Assistiu-se a um sentimento de correção nos mercados europeus. O PSI-20 acabou por ser dos menos castigados, apesar do tombo da NOS (mais de 7%) após apresentação de contas, tendo cortado o dividendo (ainda que a yield seja superior a 6%) e à queda da Galp. A NOS sofreu uma correção de sobretudo depois da empresa anunciar uma descida de 21% no dividendo para os 0,278 euros, face aos 0,35 euros pagos no ano passado.

A NOS reportou um lucro trimestral de 5,4 milhões e um EBITDA de 135,7 milhões. Em média, os analistas estimavam que no 4º trimestre a operadora de telecomunicações tivesse alcançado um lucro de 4,9 milhões e um EBITDA de 135 milhões.

O índice lisboeta caiu -0,27% para 5.396,41 pontos, quando o EuroStoxx 50 recuou 0,72% para 3.795,36 pontos.

Para além da NOS que caiu -7,14% para 4,14 euros; a Mota-Engil deslizou -2,72% para 1,609 euros; Os CTT caem -2,16 para 2,71 euros; a Galp recua -1,79% para 14,29 euros; a Ibersol resvala -1,38% para 8,56 euros; e a Sonae Capital perdeu -1,27% para 0,7790 euros.

O BCP que ontem apresentou contas anuais, caiu em bolsa -0,42% para 0,1899 euros.  O banco reportou um lucro anual de 302 milhões (que ascende aos 369,1 milhões se se excluírem alguns itens não recorrentes). A diminuição das provisões, o aumento do crédito e incremento dos resultados financeiros foram algumas das varáveis que contribuíram para o crescimento em 2019 dos lucros, compensando assim a menor atividade internacional.

As estrelas da sessão foram a Jerónimo Martins que depois de ter ontem apresentado contas  subiu +1,90% para 17,19 euros; a Corticeira Amorim que subiu +1,87% para 10,90 euros; a Navigator que avançou +1,49% para 3,14 euros; e a EDP Renováveis que valorizou +1,08% para 13,08 euros. A EDP que ontem apresentou contas subiu ligeiramente (+0,08% para 4,88 euros). A EDP apresentou um crescimento de 7% do resultado anual recorrente para 854 milhões, que reflete a subida de 13% do EBITDA para os 3.716 milhões, mas também uma normalização da taxa efetiva. O Conselho de Administração Executivo irá propor na Assembleia Anual de Acionistas (16 de Abril) a distribuição de um dividendo relativo ao exercício de 2019 no valor de 0,19 euros por ação.

A Jerónimo Martins reportou um lucro trimestral de 130 milhões de euros ( 19,70% face ao 4º trimestre de 2018) e um EBITDA de 288 milhões (15%). As estimativas dos analistas antecipavam, em média, um lucro de 130 milhões e um EBITDA de 292 milhões. “Estes resultados realçaram o bom desempenho do Pingo Doce (melhor ano de sempre) e da Bierdronka (Polónia) que continua a ser o principal motor das vendas. A Jerónimo Martins acabou por ser um dos melhores performers do dia”, descreve o analista do BPI.

Fora do PSI-20, a Novabase valorizou-se +19,42%, após a empresa atingir em 2019 um lucro de 20,4 milhões (o maior na sua história), uma subida de 330% face a 2018. A empresa irá distribuir um dividendo de 0,85 euros por ação.

Na Europa, as principais praças fecharam em baixa ligeira, “com a maior parte dos índices a agravarem as perdas depois dos dados preliminares do PMI composite nos EUA apontarem para uma contração no mês de fevereiro. A leitura do referido indicador registou o valor mais baixo desde 2013, tendo o PMI serviços norte-americano ficado abaixo dos 50, ofuscando assim o ritmo surpreendente da atividade na indústria e nos serviços da Zona Euro”, diz o analista da Mtrader (BCP), Ramiro Loureiro.

Já o BPI destaca como causa da queda generalizada as mais recentes noticias provenientes da Ásia que desafiaram a perceção que a pior fase do surto de coronavírus já teria sido ultrapassada. Na Coreia do Sul, o surto de coronavírus acelerou, contando agora com 156 contaminados. Na semana passada não chegavam a uma dezena. No Japão, o número de pessoas infetadas triplicou numa semana para os 97.

O FTSE 100 caiu 0,44% para 7.404 pontos; o CAC deslizou 0,54% para 6.029,7 pontos; o DAX tombou 0,62% para 13.579,3 pontos; o IBEX perdeu 0,45% para 9.886,2 pontos e o FTSE MIB foi a praça que mais caiu, -1,22% para 24.773 pontos.

No plano macroeconómico o ritmo surpreendente de atividade na indústria de serviços na Zona Euro em fevereiro é uma das notícias do dia.

A atividade na Zona Euro teve um registo surpreendente em fevereiro. Mas não chegou para animar os investidores. Os dados económicos acabaram assim por não ter um impacto significativo no curso da sessão. Na Alemanha, o índice PMI industrial situou-se nos 47,8 (estimava-se 44,8). Já o índice PMI da atividade económica atingiu os 51,1 (estimava-se 50,7).

Para a Zona Euro como um todo, o índice PMI industrial situou-se nos 49,1 acima dos 47,4 esperados e o índice PMI da atividade económica atingiu os 51,6 (estimava-se 51,0).

Em janeiro de 2020, a taxa de inflação anual (variação homóloga) em Portugal, medida pelo Índice Harmonizado de Preços no Consumidor (IHPC), situou-se em 0,8%, superior em 0,4 pontos percentuais (p.p.). à do mês anterior. Este valor representa uma variação mensal de -0,8% entre dezembro de 2019 e janeiro de 2020.

Portugal registou uma das menores taxas de inflação da União Europeia. Só superado pela Itália (0,4%) e Chipre (0,7%). Dinamarca e Portugal, ambos com 0,8%.

Na Zona Euro, a taxa de inflação anual (VH) situou-se em 1,4%, aumentando 0,1 p.p. face ao mês anterior. A taxa de inflação anual da UE a 28 situou-se em 1,7% em janeiro de 2020, aumentando em 0,1 p.p. face ao valor de dezembro. A variação mensal do índice situou-se em -1,0% e -0,7% na Zona Euro e na UE a 28, respetivamente.

A taxa de variação do IHPC da média anual dos últimos 12 meses (do ano 2019) foi de 0,3% para Portugal, de 1,2% para a Zona Euro e 1,5% para a UE a 28, segundo o Eurostat.

Noutros mercados, o Brent em Londres desvaloriza 1,75% para 58,27 dólares.

Já o euro ganha 0,68% face ao dólar para 1,0958 dólares.

Os juros da dívida portuguesa agravam 0,3 pontos base para 0,237%.

 

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