NOS e Vodafone fecham acordo para partilhar infraestruturas da rede móvel em todo o país

As duas operadoras de telecomunicações fecharam um conjunto de acordos de partilha de ativos e desenvolvimento de redes móveis, a nível nacional. Os acordos incidem sobre atuais e futuros ativos para as redes móveis 2G, 3G e 4G. Quanto ao 5G, a partilha estará dependente de novo acordo.

Edifício-sede da NOS, em Lisboa

A NOS e a Vodafone Portugal fecharam um conjunto de acordos para a partilha de infraestruturas da rede móvel em todo o território nacional, foi esta quinta-feira anunciado pelas duas operadoras de telecomunicações. Os acordos incidem sobre os ativos já controlados pelas duas empresas e sobre infraestruturas que venham a ser detidas por ambas.

“Foram hoje celebrados um conjunto de acordos com vista à partilha de infraestruturas de rede móvel de suporte (infraestrutura passiva como torres e mastros) e rede móvel ativa (equipamentos ativos de rádio como antenas, amplificadores e demais equipamentos)”, lê-se no comunicado que a NOS enviou à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM).

Os acordos celebrados pelas duas telecoms têm “abrangência nacional”, mas têm características diferentes na sua aplicação mediante as regiões a que se refiram. Isto é dependerá de zona para zona, se se trata de uma região com maior ou menor densidade populacional.

Nas zonas de maior densidade populacional, NOS e Vodafone vão “explorar sinergias acrescidas na partilha de infraestruturas de suporte”. Já em nas zonas “tipicamente rurais” e no interior do país, as duas operadoras “farão, para além da utilização comum de infraestruturas de suporte, a partilha da sua rede móvel ativa”.

Os acordos têm em vista a partilha de infraestruturas – atual e futura – para apenas para as redes 2G, 3G e 4G. Por sua vez, a “acomodação do 5G nos referidos acordos estará dependente da decisão autónoma de cada operador de implementar ou não esta tecnologia”, sublinha o comunicado veiculado pela CMVM.

O conjunto de acordos que visa a partilha de infraestruturas para a rede móvel não terá impacto na concorrência entre NOS e Vodafone, uma vez que os acordos “não importam a partilha de espetro”. Assim, as duas operadoras mantêm, “em exclusivo, o controlo estratégico das suas redes, garantindo assim a total concorrência, liberdade estratégica e comercial e capacidade de diferenciação na definição e prestação de serviços aos seus respetivos clientes”.

Ou seja NOS e Vodafone continuarão a evoluir as suas redes de comunicações móveis com “total liberdade e autonomia”.

Desta forma, a NOS e a Vodafone promovem em parte o que a Autoridade Nacional das Comunicações (Anacom) tem defendido quanto ao roaming. Contudo, em linha com o que ambas admitiram recentemente no Parlamento estar dispostas a aceitar, os acordos agora anunciados promovem apenas um roaming local ou regional.

Numa nota enviada à redação, o presidente executivo da NOS, Miguel Almeida, garantiu que a parceria estratégica entre ambas “traz claros benefícios” para os clientes da operadora, abrindo, em simultâneo, “caminho para o desenvolvimento da sociedade digital potenciando o desenvolvimento de produtos e serviços inovadores, que tenham a capacidade de transformar a forma como vivemos, como trabalhamos, como aprendemos e como preparamos as nossas empresas para o futuro”.

“A partilha de infraestruturas móveis permite, ainda, reduzir a nossa pegada ecológica, ao mesmo tempo que incrementa a coesão territorial e a inclusão digital, fatores essenciais a um desenvolvimento sustentável de todo o país. Com este acordo, a NOS renova o seu compromisso de realização de investimentos mais eficientes e sustentáveis, e reforça a confiança dos seus clientes e demais stakeholders”, afirmou Miguel Almeida.

Já Mário Vaz, CEO da Vodafone Portugal, também numa nota enviada à redação, adiantou que a partilha de infraestruturas “responde positivamente aos desafios atuais”, permitindo um redução dos impactos ambientais e dos custos de implantação e desenvolvimento, o que dará margem para “mais investimento em serviços de qualidade para todos os clientes”.

“Este acordo acontece num período especialmente crítico para o país e desafiador para o setor”, acrescentou o gestor, salientando que hoje “exigem-se investimentos eficientes, sustentáveis e ecologicamente responsáveis”, a fim de manter a qualidade dos serviços e promover a coesão territorial e social.

“É nesta perspetiva que o presente acordo visa fortalecer a plataforma tecnológica a partir da qual são prestados serviços essenciais à vida quotidiana, potenciando-se ainda o lançamento de serviços inovadores, capazes de melhorar a qualidade de vida dos portugueses e tornar modelos de negócio mais competitivos, acelerando a necessária transição digital do país”, afirmou o CEO da Vodafone.

 

 

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