NOS passa de prejuízos a lucros no primeiro trimestre de 2021

NOS fechou o primeiro trimestre com um lucro de 30,5 milhões de euros, assente no crescimento da receita e EBITDA nas comunicações. Serviços cresceram em todas as áreas, mas negócio dos cinemas impactou na operação. CEO da NOS considera os resultados “robustos”.

Presidente executivo da NOS, Miguel Almeida | Foto de Cristina Bernardo

O resultado líquido consolidado da NOS fixou-se nos 30,5 milhões de euros no primeiro trimestre do ano, o que em termos homólogos significa que a empresa de telecomunicações passou de prejuízos a lucros. O resultado compara com o prejuízo de 10,4 milhões observado no primeiro trimestre de 2020.

De acordo com as contas veiculadas esta terça-feira pela Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), o crescimento assenta numa recuperação da atividade, tendo em conta que o período homólogo de 2020 fora fortemente afetado pelos primeiros efeitos da pandemia da Covid-19. Até março, apesar do reforço dos estados de emergência e do segundo confinamento generalizado da população no início do ano, a NOS viu as receitas e o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (EBITDA) da área de telecomunicações crescerem. Esse crescimento atenuou os impactos negativos provocados pelo encerramento do negócios das salas de cinema. Não obstante, as receitas e o EBITDA consolidados decresceram em termos homólogos.

“Durante mais um período de confinamento, as nossas pessoas foram capazes de entregar resultados robustos, que se traduzem num forte crescimento nos serviços de telecomunicações, em simultâneo com a entrega de um serviço de excelência”,  afirmou o presidente executivo da NOS, Miguel Almeida, em comunicado.

Entre janeiro e março de 2021, as receitas totais da NOS registaram um decréscimo de 2,3% para 337,4 milhões de euros, com a empresa a considerar que os número não são “comparáveis com as do período homólogo de 2020 devido ao encerramento dos cinemas e ao impacto verificado com o confinamento neste trimestre”.

A compensar a desaceleração das receitas consolidadas está um crescimento de 0,8% das receitas de telecomunicações, face ao período homólogo, atingindo 335,7 milhões de euros. O crescimento da área de telecomunicações “permitiu que se verificasse apenas um ligeiro declínio do EBITDA consolidado de 0,4%”, para 152,2 milhões de euros. O EBITDA de comunicações aumentou 1,2%, para 143,5 milhões de euros, no primeiro trimestre deste ano.

A margem EBITDA melhorou 0,9 pontos percentuais, para 45,1%. A NOS considerou que a melhoria é “fruto das medidas de eficiência implementadas pela companhia”.

Ora, os números positivos baseiam-se na recuperação da área telco, com a empresa liderada por Miguel Almeida a sublinhar o “crescimento do número de serviços em todas as áreas”.

Nas comunicações móveis, a NOS fechou o primeiro trimestre com um total de 4,992 milhões de serviços, mais 3% face ao período homólogo de 2020. “Esta tendência foi também sentida nos serviços de banda larga fixa, que cresceram em 37 mil, totalizando 1,462 milhões, e também nos serviços de voz fixa, que atingiram 1,771 milhões, mais 14 mil serviços, face ao ano anterior”, lê-se.

O número de clientes convergentes e integrados alcançou 62,9% da base total de clientes fixos, mais 2,2 pontos percentuais do que no final de março de 2020. Até março, a base de serviços totais prestados pela NOS atingia 9,902 milhares de RGU’s [receita gerada por serviço], o que se traduziu num crescimento de 2,1% face ao período homólogo.

A receita média por cliente (ARPU) na área das comunicações caiu 1,5%, para 43,7 euros, até março.

No negócio fixo, o operador realçou que “a cobertura de rede fixa de nova geração atingiu, no final deste trimestre, 4,913 milhões de casas, mais 274 mil face ao final do trimestre homólogo”.

No segmento empresarial, a empresa de telecomunicações fez saber que o número de serviços fixou-se nos 1,532 milhões entre janeiro e março. O valor compara bem com os 1,483 milhões registados no mesmo período de 2020. Na área corporate, a telecom destacou os acordos e parcerias estratégicas com a empresas como a Google, AWS e Azure, que permitiram “conquistar clientes relevantes”.

Na área de cinemas, “altamente impactada pela pandemia”, que forçou o encerramento das salas “praticamente durante todo o trimestre”, a NOS apenas vendeu 15,9 mil bilhetes. No primeiro trimestre de 2020, o número total de bilhetes vendidos foi de 1,5 milhões de euros.

Entre janeiro e março, o investimento total da NOS (capex) ascendeu aos 96 milhões de euros, o que representa um crescimento homólogo de 8,7%. Este valor não contabiliza os contratos de leasing.

A dívida financeira líquida situou-se nos 783,4 milhões de euros, menos 26,2% do que no final de março de 2020. O valor representa 1,5x o EBITDA após leasings. O rácio da dívida é “conservador face às congeneres do sector”, mas a empresa realçou que conseguiu concretizar uma “redução acentuada da dívida financeira líquida”. A diminuição “relaciona-se com o recebimento do pagamento proveniente da alienação da NOS Towering no final do terceiro trimestre de 2020”.

A telecom vendeu a NOS Towering, empresa que detinha cerca de duas mil torres de telecomunicações, à Cellnex por 375 milhões de euros, um valor que ainda pode subir até aos 550 milhões até 2026.

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