Novo Banco, BCP, Caixa Geral de Depósitos e Santander recusaram apoio à Dielmar (com áudio)

A administração da Dielmar fez saber a 2 de agosto que pediu a insolvência da empresa de vestuário, ao fim de 56 anos de atividade. A decisão foi justificada com os efeitos da pandemia. Mas antes a empresa procurou ajuda junto da banca nacional, que recusou ajudar por falta de garantias.

A empresa de vestuário Dielmar, com sede em Alcains, Castelo Branco, e com cerca de 300 trabalhadores, pediu ajuda aos maiores bancos portugueses para evitar a falência. Mas, como a situação financeira da empresa já era frágil, os bancos contactados — Novo Banco, BCP, Caixa Geral de Depósitos e Santander —  recusaram apoiar a empresa, noticia o “Público” esta quarta-feira.

As contas da empresa já colocavam a empresa num situação difícil ainda antes da pandemia. Em 2020, já com o impacto da pandemia da Covid-19 a fazer-se sentir, a empresa não conseguiu aceder aos apoios das ‘linhas covid’ criadas pelo Estado. O matutino dá conta que o volume de negócios tinha caído de nove milhões em 2019 para três milhões em 2020, o que agravava ainda mais o desequilíbrio financeiro da Dielmar que, no final de 2019, já violava o artigo 35 do Código das Sociedades Comerciais, ou seja, o capital próprio era inferior a metade do capital social. Nestas circunstâncias, pelas regras europeias, as empresas não podem ser ajudadas pelos Estados.

Embora impedido de ajudar a empresa com verbas públicas, o Estado ainda apoiou a Dielmar na procura de investidores mas estes viram a empresa como “um projeto de valor negativo”. Ora, sem garantias públicas, a Dielmar bateu à porta dos maiores bancos portugueses mas nenhum acedeu ao pedido de ajuda. O jornal diário escreve que a banca recusou emprestar sem garantias, que não podiam ser dadas pelo Estado porque a empresa não tinha capital próprio suficiente. Resultado? A 2 de agosto a Dielmar confirmou que, ao fim de 56 de anos atividade, pediu a insolvência. A administração justificou a decisão com os efeitos da pandemia de Covid-19.

Contudo, de acordo com o “Público”, a situação já não era boa antes da pandemia. Na última década, as contas só registavam prejuízos: -747 mil euros em 2011; -1,7 milhões em 2012; -700 mil em 2013; em 2014, 2015 e 2016 foram -976 mil, -594 mil e -1,57 milhões, respetivamente; cerca de -700 mil em 2017 e, em 2018 cerca de um milhão de euros negativos, barreira superada em 2019 e 2020. Acresce que o dinheiro gerado pelas operações correntes da empresa foi mesmo negativo em 2018, aquele que foi considerado o melhor ano da Dielmar nos últimos dez anos. Em 2018, o EBITDA (resultados antes de impostos, juros, depreciações e amortizações) foi de menos 250 mil euros. O indicador piorou em 2019 e 2020, com um EBITDA negativo de 790 mil e 2,5 milhões, respetivamente. Assim, o funcionamento corrente e normal da empresa era insuficiente para manter as contas positivas.

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