Novo Banco, EDP e Microsoft revelam estratégias de combate à pandemia

Catarina Horta, diretora de Capital Humano do Novo Banco, Ana Paula Marques, administradora da EDP, e Paula Panarra, directora-geral da Microsoft Portugal, explicaram esta terça-feira como é que as suas empresas garantiram a actividade e a segurança dos colaboradores durante a pandemia. A conferência “Descodificando o trabalho Híbrido” foi promovida pela Microsoft Portugal e teve como media partner o JE.

A Covid-19 foi um acontecimento inesperado, totalmente disruptivo e atingiu em força as empresas, que, em março de 2020, tiveram de enfrentar, por um lado, a necessidade de garantir a segurança dos trabalhadores e, pelo outro, assegurar a atividade. Esta terça-feira, 12 de outubro, na conferência “Descodificando o trabalho Híbrido”, promovida pela Microsoft Portugal em que O Jornal Económico foi media partner, responsáveis de três grandes empresas a operar em Portugal – Catarina Horta, diretora de Capital Humano do Novo Banco, Ana Paula Marques, administradora da EDP, e  Paula Panarra, directora-geral da Microsoft Portugal – revelaram como enfrentaram a pandemia e as estratégias usadas.

 

Um banco nunca fecha a porta

A natureza da actividade bancária obriga ao contacto direto com o público e assim foi mesmo nos períodos mais críticos da pandemia. O Novo Banco, uma das maiores instituições portuguesas do sector financeiro, com cerca de 4700 trabalhadores, dispersos por 360 balcões em todo o país, manteve uma parte dos seus colaboradores fisicamente no local de trabalho. Nem poderia ser de outra forma.

“A banca também teve que estar naquela primeira resposta -afirma Catarina Horta, diretora de Capital Humano do Novo Banco – tinha que haver dinheiro nas caixas Multibanco, tinha que haver resposta às moratórias, tinha que haver resposta a todas as necessidades das pessoas, tal como tinha que haver alimentos nos supermercados”.  Um tanto injustamente, salienta, a banca é esquecida quando se fala da linha da frente.

No primeiro momento da pandemia quando o medo era muito e a pressão para ir para casa ainda maior e quase se tinha que andar na candonga para  comprar luvas e álcool gel para garantir a porta aberta em segurança, foi necessário usar a criatividade. Catarina Horta admite que chegaram a recorrer a clientes, fabricantes deste tipo de produtos e pedir “por favor arranje-nos, porque temos que ter uma atividade a funcionar”.

Considerando o imperativo de manter a porta aberta, a gestora explica que metade das pessoas não podia estar em trabalho híbrido ou teletrabalho. A outra metade, essa, sim, podia. Mas nem todos foram por essa via, por uma decisão estratégica. “Tomámos uma opção muito diferente da maioria das organizações, mantendo sempre no escritório o limite mínimo de 20% das pessoas em teletrabalho. Fizemo-lo por solidariedade e, até, por exemplo, não aceitámos que todas as pessoas fossem para teletrabalho”.

A estratégia do Novo Banco passou também pelo estabelecimento de um comité de crise e pelo refazer da comunicação interna, de forma a que as equipas passassem a ter acesso a comunicação específica sobre a pandemia. Passados três meses foi feita uma avaliação da situação.

Catarina Horta diz que, na altura, esta decisão foi mal percebida, mas revelou-se certeira a prazo. “Esta nossa estratégia de não limitar o contacto físico ao zero resultou no longo prazo”, salienta, adiantando que lhe parece claro, também, que se abriu uma caixa de pandora e justifica: “nós, como a maioria das organizações, tínhamos um procedimento, um regulamento de teletrabalho que não era usado…e  isso morreu com a pandemia”.

Uma das coisas boas da pandemia, salienta, é a assunção de que a partir de agora vamos usar teletrabalho. “O modelo híbrido passa a ser uma norma, em circunstâncias diferentes consoante os tipos de empresas”.

 

A atividade elétrica não tem descanso

 

A EDP produz, distribui e comercializa energia e opera em vários países do mundo. Em Portugal é a maior empresa do sector. Muita da sua actividade desenrola-se no terreno com contacto e impacto direto na vida das pessoas e das empresas.

Ana Paula Marques, administradora da EDP, lembra que logo no início da pandemia, antes mesmo dos países começarem a decretar o estado de emergência e entrar em confinamento, o grupo ativou planos de contingência que incluíam, entre outras medidas, manter o número máximo possível de colaboradores, em todos os serviços, em regime de teletrabalho. “O objetivo foi colocarmos a segurança e a saúde dos nossos colaboradores em primeiro lugar”, justifica.

Resultado? A EDP chegou a ter 72% dos seus colaboradores a nível mundial e 79% em Portugal em teletrabalho, desde o princípio da crise da Covid-19. Como conseguiram? – questionou o moderador, Ricardo Santos Ferreira, do Jornal Económico.

“Só foi possível porque o investimento em ferramentas digitais colaborativas facilitou e muito este período de transição para o trabalho remoto”, explica Ana Paula Marques. “A EDP há muito preparava os alicerces para estas novas formas de trabalhar, não porque previmos ou antecipámos a pandemia, mas porque o teletrabalho estava pouco a pouco a tornar-se uma realidade cada vez mais frequente em todo o mundo”.

A resposta dada à pandemia colocou desafios. A administradora da EDP elenca seis, desde logo, o desafio da liderança, tanto no topo como ao nível das lideranças intermédias; o desafio da gestão de crise – desde o momento zero funcionou um comité de crise a nível global, com coordenação para todas as geografias e elementos de várias áreas o que permitiu olhar para a questão pandémica com excelência. O terceiro desafio foi o da segurança – desde o início tema central na atuação da empresa-; o quarto teve natureza tecnológica; o quinto prendeu-se com a questão da literacia digital, que tirou partido de um projeto desenvolvido em conjunto com a Microsoft, que foi a massificação do Teams como ferramenta em 2019. Um sexto e último desafio enfrentado pela EDP nestes primeiros momentos da pandemia, foi o reforço  significativo de toda a comunicação interna. “Envolver todos os nossos colaboradores no dia-a-dia da empresa, comunicar tudo o que estava a ser feito relativamente à pandemia para os conseguirmos acompanhar de uma forma completamente diferenciada e ouvi-los foi absolutamente fundamental”, salienta Ana Paula Marques.

A gestora diz ainda que foram realizados vários ‘surveys’ globais acerca do trabalho presencial e remoto durante este período de pandemia e o facto de ter sido feita uma monitorização “ao longo de todo o caminho” permitiu que a empresa obtivesse resultados muito positivos ao nível do ‘engagement’, da capacitação e da produtividade  dos seus colaboradores durante todo este período.

 

As novas ferramentas que permitem trabalhar

Como empresa de serviços e dispositivos, a Microsoft fornece soluções para particulares e empresas que permitem tirar partido das atividades que  valorizam, onde quer que estejam, em casa, no trabalho ou em mobilidade.

Paula Panarra, directora-geral da Microsoft Portugal, explica que, na fase inicial da pandemia, a própria empresa foi obrigada a colocar os trabalhadores em segurança, o que não a impediu de dar imediatamente respostas aos milhões de solicitações que ia tendo a nível global e, no caso mais próximo, em Portugal.

“Houve um esforço, não só para garantir o serviço, mas também um esforço grande da nossa parte na formação, desde o utilizador, o cidadão, até às organizações, nos temas da segurança, que, reforço, é uma das áreas que tem que ser pensada dentro das organizações. Esta nova realidade de acessos distribuídos trouxe também grandes desafios desse ponto de vista”.

Segundo Paula Panarra, a Microsoft esteve particularmente atenta, tendo incorporado muito do feedback dos milhões de utilizadores no desenvolvimento das funcionalidades que colocou cá fora. “Foi um período de intensivo desenvolvimento da engenharia  a todos os níveis, desde a qualidade de imagem, remoção de ruído até novas funcionalidades”.

A empresa desenvolveu, por exemplo, um novo conjunto de funcionalidades a que chamou Microsoft Viva: uma plataforma de experiência dos colaboradores que reúne comunicações, conhecimentos, aprendizagem, recursos e informações no fluxo de trabalho. Com tecnologia Microsoft 365 e utilizado principalmente no Microsoft Teams, o Viva promove “uma cultura em que as pessoas e as equipas têm as capacidades para darem o seu melhor em qualquer lugar”.

A tecnologia, diz Paula Panarra, tem que se adaptar a esta nova realidade, dando resposta não apenas às necessidades de produtividade, mas também às necessidades de bem-estar, porque, acredita, que este modelo híbrido passa, na verdade, pela melhor conjugação das duas”. É isso que, adianta, a Microsoft vai continuar a fazer.

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