Novo Banco encaixa 191 milhões com venda de carteira de crédito malparado

O projeto Nata 2 tem um valor original de 2.732 milhões de euros e um valor bruto contabilístico de 1.713 milhões de euros. Esta carteira inclui os créditos da Sogema, de Bernardo Moniz da Maia, e da Ongoing, de Nuno Vasconcellos.

Cristina Bernardo

O Novo Banco encaixou 191 milhões de euros com a venda da carteira de crédito malparado e ativos, com o nome de Projeto Nata 2.

A venda tinha sido avançada pela Bloomberg na quarta-feira e foi anunciada oficialmente pelo Novo Banco esta quinta-feira, 5 de setembro.

O projeto Nata 2 tem um valor original de 2.732 milhões de euros e um valor bruto contabilístico de 1.713 milhões de euros.

A carteira foi comprada pela Burlington Loan Management, “uma sociedade afiliada e aconselhada pela Davidson Kemper European Partners.

O banco presidido por António Ramalho adianta que a “carteira transacionada” está “sujeita a ajustamentos de perímetro usuais nestas transações até à sua concretização”.

Já o impacto direto desta venda na demonstração de resultados do Novo Banco “deverá ser de -106 milhões de euros em 2019”, segundo a instituição.

O Novo Banco “prevê que a transação se conclua nos próximos meses, assim que reunidas todas as condições necessárias à sua formalização”.

“Esta transação representa mais um importante passo no processo de desinvestimento de ativos não produtivos (NPA – non-performing assets) e permitirá acelerar a sua redução”, segundo o banco.

Conforme revelou o Jornal Económico em maio, na lista de créditos incobráveis nesta carteira de malparado estão os créditos da Sogema, de Bernardo Moniz da Maia, e da Ongoing, de Nuno Vasconcellos.

O crédito malparado da Sogema tem o valor indicativo de 540 milhões de euros (o que incluirá juros) e os créditos da Ongoing, de Nuno Vasconcellos e Rafael Mora, têm o valor indicativo de 350 milhões de euros, a que acresce 240 milhões em papel comercial da holding que era dona do Diário Económico. Estes são os maiores devedores no portefólio de crédito malparado que o Novo Banco pôs à venda este ano.

O ‘Projeto Nata 2’ conta com 60 a 70 créditos de grandes devedores , dos quais apenas um terço tem colaterais e garantias reais (cerca de 1.000 milhões),enquanto os restantes financiamentos não apresentam quaisquer garantias (unsecured). Cerca de um quinto dos créditos são de empresas fora de Portugal, a maioria em Cabo Verde. A maioria dos créditos representa construção e imobiliário, como escreveu o Jornal Económico em março.

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Os dois maiores devedores incluídos no pacote de créditos incobráveis que o Novo Banco pôs à venda com o nome de Nata 2, são a Sogema (540 milhões) e a Ongoing (590 milhões).
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