Novo Banco: Marcelo concorda com Governo sobre necessidade de auditoria às contas

O presidente da República concordou hoje com o pedido de auditoria anunciado pelo Governo às contas do Novo Banco, considerando que “os portugueses têm o direito de saber o que se passou” desde a resolução desta instituição.

Cristina Bernardo

“Eu penso que aquilo que foi pedido pelo senhor ministro das Finanças foi bem pedido, uma auditoria. Os portugueses têm o direito de saber o que se passou desde que foi determinada a resolução, já lá vão muitos anos, com sucessivas gestões e saber concretamente qual o destino do dinheiro dos contribuintes. Esse esclarecimento é importante”, afirmou Marcelo Rebelo de Sousa, questionado pelos jornalistas, à margem das comemorações do 216.º aniversário do Colégio Militar, que hoje decorrem em Lisboa.

Questionado se considera preocupante que os portugueses continuem a ter de injetar dinheiro nos bancos, o chefe de Estado reiterou: “É fundamental apurar para que isso não continue a acontecer”.

Na sexta-feira (dia 01 de março), o Novo Banco anunciou que vai pedir uma injeção de capital de 1.149 milhões de euros ao Fundo de Resolução, tendo o Ministério das Finanças anunciado que “considera indispensável” a realização de uma auditoria para escrutinar o processo de capitalização deste banco.

No ano passado, para fazer face a perdas de 2017, o Novo Banco já tinha recebido uma injeção de capital de 792 milhões de euros do Fundo de Resolução, pelo que, a concretizar-se o valor pedido agora, as injeções públicas ficarão em mais de 1.900 milhões de euros.

O Novo Banco, que ficou com parte da atividade bancária do Banco Espírito Santo (BES) – resgatado no verão de 2014 -, é desde outubro de 2017 detido em 75% pelo fundo norte-americano Lone Star, sendo os restantes 25% propriedade do Fundo de Resolução bancário (entidade da esfera pública gerida pelo Banco de Portugal).

A Lone Star não pagou qualquer preço, tendo acordado injetar 1.000 milhões de euros no Novo Banco, e negociou um mecanismo que prevê que, durante oito anos, o Fundo de Resolução injete até 3,89 mil milhões de euros no banco por perdas que venha a registar num conjunto de ativos ‘tóxicos’ e alienações de operações não estratégicas (caso ponham em causa os rácios de capital da instituição).

Em 2018 o Novo Banco registou prejuízos de 1.412 milhões de euros.

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