Nuclear: Empresas donas de Almaraz não se entendem sobre o futuro da central

As proprietárias da central de Almaraz – Endesa, Iberdrola e Naturgy -, voltam a sentar-se hoje à mesa de negociações, no que é o quinto encontro desde novembro entre as três elétricas.

As empresas donas de Almaraz não se entendem sobre o que fazer com a polémica central nuclear localizada a 320 quilómetros de Lisboa ou a 160 quilómetros de Portalegre. Almaraz, com dois reatores, é a maior central nuclear de Espanha com 2.010 megawatts de capacidade instalada.

A Iberdrola, a Naturgy e a Endesa já se reuniram várias vezes para chegar a acordo sobre o futuro das centrais, mas sem sucesso. Esta quinta-feira, 21 de março, voltam a sentar-se à mesa de negociações, no quinto encontro desde novembro entre as três elétricas.

A Endesa propôs à Iberdrola (que detém 53% de Almaraz) e à Naturgy (11%) para lhe cederem gratuitamente as suas participações, caso queiram deixar de explorar a central, avança o jornal Expansion.

Esta proposta “causou-lhes uma forte irritação perante o que consideram uma proposta intolerável e, por outro, não deixam de considerar um farol e uma fuga para a frente da Endesa, a quem acusam de que, no fundo, não quer cumprir o protocolo nuclear assinado por todas para o encerramento ordenado do parque atómico”, escreve o jornal Cinco Dias.

As três empresas chegaram a acordo no início de março para encerrarem ordenadamente as suas centrais nucleares entre 2027 e 2035, mas agora não conseguem chegar a acordo sobre como pedir as licenças de funcionamento adicionais que cada central precisa entre o término da licença atual e o encerramento previsto da central.

A atual licença da central de Almaraz termina no dia 31 de março. A ideia servia renovar a autorização de exploração até novembro de 2027, no caso do reator I, e até outubro de 2028, no caso do reator II.

A Iberdrola e a Naturgy não querem que os investimentos necessários para o encerramento da central supere o valor já acordado pelas três empresas (400 milhões de euros). No entanto, a Endesa discorda desta posição e considera que não deve haver condições prévias, daí ter proposto a cedência gratuita das participações, perante a falta de vontade das outras duas empresas em investir mais dinheiro.

“Se não lhes interessa continuar, e nós acreditamos que podemos continuar, ficamos com a parte deles”, disse o conselheiro delegado da Endesa José Bogas, citado pelo Expansion.

“Vamos chegar a um acordo absolutamente razoável e com base no que é o protocolo, que é o que queremos”, acrescentou o gestor.

 

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