Nuno Melo: “Quem queira evitar o voto dos militantes não terá qualquer legitimidade”

Eurodeputado critica intenções da liderança centrista quanto a um adiamento de congresso marcado para 27 e 28 de novembro. E diz que se Rodrigues dos Santos conseguir apresentar-se às legislativas depois de terminar o mandato “perdeu qualquer noção do sentido da democracia que o CDS ajudou a fundar”.

Nuno Melo
Nuno Melo no Congresso de Aveiro

O eurodeputado centrista Nuno Melo, candidato à liderança do partido, acusou implicitamente Francisco Rodrigues de querer “evitar o voto dos militantes” com um eventual adiamento do congresso do CDS-PP, que está marcado para os dias 27 e 28 de novembro. Tal hipótese foi colocada pelo atual presidente a 14 de outubro, quando disse que, em caso de chumbo do Orçamento do Estado para 2022, o país não compreenderia que “um partido estruturante da democracia e fundamental para uma alternativa política no centro-direita estivesse preocupado com eleições internas”.

Num texto publicado na manhã desta quinta-feira na sua conta de Facebook, Nuno Melo escreveu que “quem queira evitar que o voto dos militantes, num congresso que por vontade própria pediu, com medo afinal de o perder, depois da soberba de quem esmagaria outras alternativas, não terá qualquer legitimidade, nem respeito por si próprio, representando CDS em legislativas perante o país”.

E acrescentou, num ataque direto às movimentações de Francisco Rodrigues dos Santos – que quem “queira apresentar-se nas urnas no final de janeiro ou início de fevereiro,, num momento em que já terminou o mandato, perdeu qualquer noção do sentido da democracia que o CDS ajudou a fundar em Portugal”.

Na terça-feira, quando se tornou evidente que a proposta de Orçamento do Estado para 2022 se encaminhava para a reprovação, com os grupos parlamentares do Bloco de Esquerda, PCP e PEV a juntarem os seus votos aos da direita, o líder parlamentar centrista, Telmo Correia, defendeu que as eleições antecipadas deveriam realizar-se entre o final de janeiro e o início de fevereiro, o que permitiria “um prazo razoável de afirmação das candidaturas e para a constituição de listas” após o congresso do CDS-PP.

Essa posição foi imediatamente contestada pela direção do CDS-PP, que deverá contar com apoio maioritário no Conselho Nacional para, numa reunião extraordinária, adiar o congresso. Entre outros argumentos que poderão ser avançados, a legislação eleitoral impõe que as listas de deputados sejam entregues até ao 41.º dia anterior à data das legislativas, o que pressiona os calendários eleitorais internos do PSD e do CDS-PP.

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