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O ano em que a Beatlemania tomou conta do mundo

Acabou de inaugurar na Gagosian, em Londres, “Rearview Mirror: Liverpool–London–Paris”. A exposição reúne fotografias do arquivo pessoal de Paul McCartney, que se julgava estarem perdidas, tiradas pelo próprio nos primórdios desse fenómeno que ficou para a história como Beatlemania.
7 Setembro 2025, 18h27

Os Beatles aparecem pela primeira vez na televisão britânica a 13 de outubro de 1963. Foi o começo oficial da Beatlemania, que ameaçava explodir desde o lançamento do primeiro disco da banda. A expressão pode parecer inofensiva para aqueles que nunca viram – ao vivo ou na televisão – a loucura que tomava conta dos fãs da banda. E se no estúdio de televisão a gritaria os impedia de se ouvirem quando tocaram She Loves You, o “yeah, yeah, yeah” do refrão mandou a casa abaixo e passou a ser o grito de guerra de toda uma geração.

O fenómeno fazia sentir-se mais por terras da Velha Albion, mas quando a banda de Liverpool conquista pela primeira vez o primeiro lugar nos tops britânicos com o single Please, Please Me, o mundo não voltou a ser o mesmo. A 22 de março de 1963 é lançado o primeiro disco de estúdio, também intitulado Please, Please Me. Foi gravado em apenas algumas horas no dia 11 de fevereiro, com o repertório que a banda costumava tocar ao vivo. Em abril sai o single From Me To You, que também tomou de assalto o pódio dos tops. Oestrondo provocado pelos “Fab Four” não se ficou pela ilha. Chegou a todo o planeta e mudou o curso da história da música.

Foi por esses dias escaldantes que entrou em cena a Pentax de 35mm de Paul McCartney. Com ela registou os dias que a banda passou em seis cidades – Liverpool, Londres, Paris, Nova Iorque, Washington e Miami. Mostram tanto os bastidores de salas como Lewisham Odeon, London Palladium e Finsbury Park Astoria, como a ida ao programa de televisão Juke Box Jury, que chegou aos 23 milhões de espetadores. Mais um sinal do tsunami que aí vinha. The Beatles Christmas Show e a residência de três semanas no Olympia, a mítica sala parisiense, ampliaram mais ainda a fama da banda que atraía mares de gente, provocava desmaios e cenas de histeria coletiva. Ou aquilo que os historiadores rotularam de primeiro fenómeno global da cultura de massas.

“Rearview Mirror: Liverpool–London–Paris”
A exposição agora inaugurada na Gagosian Gallery, em Londres, reúne fotografias do arquivo pessoal de Paul McCartney, que se julgava estarem perdidas, tiradas por ele nos primórdios da Beatlemania. A intimidade das fotografias e provas de contacto mostra bem que só poderia ser alguém de ‘dentro’ – ou melhor, “one of them” – a fazer este registo. Como o embarque no voo 101 da Pan Am, para Nova Iorque, a 7 de fevereiro de 1964. Nele também foram Mal Evans, Neil Aspinall e Brian Epstein, o mítico assessor da banda. Ou instantâneos tirados na Grande Maçã, onde os fãs os seguiam para todo o lado. Cada vez mais devotos, ruidosos. Da porta do hotel e da escapadinha que fizeram a Miami, à ida ao famoso programa de Ed Sullivan, o entusiasmo da mole humana seguia imparável.

O compositor-fotógrafo
James Paul McCartney nasceu a 18 de junho de 1942, em Liverpool, Inglaterra. Baixista dos Beatles, mas também compositor, cantor e multi-instrumentista, está para sempre ligado aos Beatles. A sua carreira começou a ganhar forma no final dos anos 1950, quando conheceu John Lennon e se juntou à sua banda, The Quarrymen.
A química musical entre McCartney e Lennon resultou numa das parcerias de composição mais prolíficas da história da música. Juntos, escreveram a maioria das canções dos Beatles. São eles os ‘mastermind’ de álbuns imortais como Please, Please Me (1963), Rubber Soul (1965), Revolver (1966), Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band (1967), e Abbey Road (1969). Ou de temas intemporais como Hey Jude, Let It Be, Blackbird ou Yesterday – canção que McCartney sonhou na casa onde tirou um enigmático autorretrato, que agora pode ser visto na exposição “Rearview Mirror: Liverpool–London–Paris”.

Até 4 de outubro | Gagosian Gallery, 17–19 Davies Street | Londres


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