O bando dos cinco: a saga da CPAS

A questão da CPAS deixou de ser o que podemos fazer pelos demais. Passou a ser o que podemos fazer por nós próprios. Por cada um de nós.

Da série #margemaAGE

(Nota prévia: encaro o resultado eleitoral nos Açores como a demonstração de que o karma, ou algo por ele, nos devolve o que, antes, demos. É sempre fascinante ver a contorção dos nossos alegados representantes quando algo não lhes agrada. É o caso do PS agora a defender o oposto do que disse quando chegou ao Governo. Foi também o que sucedeu com aqueles que se pronunciaram contra o referendo sobre a eutanásia e que, contudo, foram a força motriz dos referendos sobre a despenalização do aborto. Ter memória neste país é viver sem permissão e em contraciclo mas é divertido. Quando falham os humoristas, permanecem os políticos.)

Pedindo desculpas por voltar a um tema que pouco diz aos outros cidadãos e que é um fardo para os advogados, eis que o dito sistema de previdência (diria eu e um sistema apenas para esgotar a paciência) destes volta a estar na ordem do dia.

Faço a minha declaração de interesses: sou das que ainda não decidiu se optaria pelo ingresso na Segurança Social, mas sou igualmente das que considera que todos devem ter hipótese de escolha.

Para começo, a ajuda a estes profissionais embora tivesse sido anunciada com pompa e circunstância, rapidamente se percebeu que, ao contrário do que sucedeu com todos os demais cidadãos, o acesso à mesma pressuporia que tivéssemos previamente processado todos os familiares, com vista a demonstrar a alegada situação de carência. Dito de outra forma, quem não tem dinheiro por força da situação de pandemia, gastaria o pouco que lhe resta em taxas de justiça para, daqui a dez anos e caso ainda estivesse vivo, aceder a um montante irrisório, enquanto as contas mensais se continuam a vencer.

Depois, enquanto os solicitadores deram um sinal de força e aprovaram uma deliberação sobre a possibilidade de optarem pelo ingresso na Segurança Social, os advogados continuam sem ver marcada a AG para discutir esta questão. Entre dificuldades de obtenção de assinaturas e a óbvia obstacularização do dito agendamento, a verdade é que os meses passam e nada sucede. Nada a estranhar, se se atentar no que tem sido o trabalho deste Bastonato, mais apto a determinar auditorias que ninguém solicitou ou a pronunciar-se sobre temáticas da Associação dos Proprietários do que a fazer algo que prometeu na campanha eleitoral.

Entretanto, como se nada fosse e como se aquele buraco negro servisse os seus propósitos, eis que surge anunciado, pelo bando dos cinco, um aumento das contribuições mensais que somos obrigados a fazer, quer recebamos muito, quer nada tenhamos auferido.

A questão da CPAS deixou de ser o que podemos fazer pelos demais. Passou a ser o que podemos fazer por nós próprios. Por cada um de nós. É certo que o humor nos salva mas não mata a fome.

A autora escreve de acordo com a antiga ortografia.

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