A competitividade de um país funciona como uma cadeia de valor empresarial. Se um elo falha — talento, inovação, regulação, infraestrutura, capital — toda a cadeia perde eficiência, os custos aumentam e o produto final chega mais tarde ou perde qualidade. Tal como nas empresas, a força de um país não está no seu melhor elo, mas na resiliência da cadeia como um todo.

Os países competitivos são aqueles que conseguem alinhar todos os elos ao mesmo tempo, sem atritos nem gargalos. Os parâmetros mais usados para medir a competitividade de uma nação são a qualidade das suas instituições e governação, a estabilidade macroeconómica, o crescimento do produto interno bruto (riqueza), o investimento direto estrangeiro, as infraestruturas físicas e tecnológicas, o talento, a educação e saúde, a eficiência dos mercados ao nível do trabalho, bens e financeiros, quadro regulatório, ainda a maturidade empresarial e a capacidade de inovação, o ambiente fiscal e regulatório e abertura económica e inserção internacional.

Os rankings globais de referência, como por exemplo o IMD World Competitiveness Ranking ou o World Economic Forum – Global Competitiveness Index (GCI), integram muitos dos fatores acima listados. Curiosamente, para uma parte dos empresários portugueses o elemento o que mais se destaca pela negativa é a legislação laboral.

Ouvidos num inquérito anual da Associação Industrial Portuguesa (AIP), 25% destacam que as leis do trabalho são o fator que mais contribui para a perda de competitividade. Pedem, há anos, maior flexibilidade laboral e voltam a bater na mesma tecla em fevereiro de 2026.

Neste mesmo inquérito, os impostos não foram esquecidos: 18% apontam o dedo ao sistema fiscal, que ainda consideram complexo e com altas taxas, e 17% indica a conjuntura internacional. Mas há mais fatores que, segundo as empresas são autênticos travões à competitividade: 13% refere a carga administrativa, 11% os custos energéticos, 6% a digitalização e apenas 4% o sistema judicial.

Apesar dos diversos custos de contexto denunciados no inquérito e do quadro geopolítico internacional altamente instável, a pesquisa revela que em 2025, mais de 65% das empresas afirmam ter mantido ou incrementado os seus níveis de investimento, com 7% a avançarem um aumento muito superior quando comparado com o ano anterior.

Numa semana em que se assinalam quatro anos desde que se iniciou a guerra na Ucrânia, é curioso verificar que, apesar do quadro internacional imprevisível, a maioria dos empresários ouvidos sentiu a confiança necessária para manter ou aumentar o investimento. E onde? No equipamento produtivo, que representa 34% do total investido, 11% na digitalização e 8% na qualificação de recursos humanos.

Para a sustentabilidade do longo prazo das organizações é importante apostar na investigação e desenvolvimento, mas esta área continua a ser um parente pobre. Reúne apenas 8% do total da aposta. E, mais preocupante ainda, é verificar que 38% das empresas afiançam que nunca (leu bem, nunca) investiram em I&D, há 31% dizem que raramente o fazem, enquanto 28% investem frequentemente e 3% de forma permanente. Mais uma vez, esta área está a ser deixada para o fim da lista das prioridades.

O inquérito realizou-se no segundo semestre de 2025 e contou com 156 respostas validadas. A indústria é o setor mais representado na amostra com 43%, seguido pelos Serviços com 32% e do Comércio com 25%. No Atractiveness Survey 2025, estudo realizado pela EY e que avalia a atratividade do país, os investidores apontam vários dos constrangimentos estruturais também referidos no inquérito.

São muitos os travões que surgem a minar os elos da corrente. Contudo, hoje pode dizer-se que para as empresas e o país se diferenciarem e serem mais competitivo, não basta legislação laboral mais flexível. Mas é necessário e urgente aumentar a oferta de competências em áreas críticas como a tecnologia, engenharia, energia, ciência de dados, inteligência artificial. Se não fizemos esse caminho, todos os outros elos (talento, inovação, regulação, infraestrutura, capital) serão travados.