Em cinco anos, o valor total das empresas cotadas e que integram o PSI 20, caiu para bem menos de metade. O ruir da Bolsa espelha as fraquezas da economia e os erros dos decisores políticos.

Em cinco anos, o valor diário das transacções na Bolsa de Valores de Lisboa caiu para metade. O PSI 20 perdeu alguns dos seus pesos pesados e chegou a nem ter quórum suficiente para fazer jus ao seu nome. Entre construtoras afectadas pela crise, bancos falidos e empresas de outros sectores estrangulados pelas exigências da banca, foi uma varredela geral. Ficou-nos a EDP.

Se a Bolsa nunca foi um verdadeiro retrato da economia nacional, o certo é que essa ambição se desvaneceu com a crise e a troika. Foi o enterrar definitivo do mercado de capitais como alternativa à poupança de aforradores particulares e meio de financiamento de empresas.

A quebra do valor transaccionado só tem paralelo com o afundar dos índices. Em cinco anos, o valor total das empresas cotadas em Bolsa e que integram o PSI 20, caiu para bem menos de metade.

O ruir da Bolsa espelha as fraquezas da economia e os erros dos decisores políticos. Os bancos privados de capital português, que ilustravam o PSI 20, faliram, foram nacionalizados, ou acabaram nas mãos de accionistas estrangeiros. Uma catástrofe.

O garrote imposto pela troika aos bancos estrangulou alguns dos grandes grupos, enquanto a crise afundava grandes construtoras, como a Mota-Engil, a Soares da Costa, ou a Teixeira Duarte.

O disparate da intervenção no BES (que a história julgará), teve um efeito dominó sobre sectores importantes da economia, atirando a PT, a Tranquilidade, a Herdade da Comporta, os Hotéis Tivoli e o BESSI (só para citar os casos mais importantes), para uma espécie de coma económico, de que só agora começam a recuperar.

O que a crise, a troika e as más decisões políticas vieram revelar é que afinal não tínhamos os melhores bancos do mundo, nem as melhores construtoras, nem as melhores empresas prestadoras de serviços.

Que, com excepção do turismo, do têxtil e do calçado, do azeite e do vinho (tudo sectores tradicionais), não tínhamos campeões mundiais, mas empresas que escondiam a sua falta de competitividade por viverem em mercados de bens não transaccionáveis e, por isso, protegidas dos seus concorrentes externos.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.