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O fim de uma era. 81 anos depois, Volkswagen deixa de produzir o Carocha

Ao fim de oito décadas, o veículo que atravessou diversos momentos históricos chegou ao fim de uma longa estrada. O Carocha foi um símbolo do renascimento económico da Alemanha do pós-guerra e foi um sucesso de vendas nos Estados Unidos.
10 Julho 2019, 17h57

Sobreviveu à Segunda Guerra Mundial, foi um símbolo do renascimento da Alemanha no pós-guerra, rumou com os hippies ao festival de Woodstock, assistiu à queda do muro de Berlim e à reunificação alemã. O Volkswagen Carocha, assistiu na primeira fila a muitos dos acontecimentos mais marcantes do século XX.

Mas 81 anos depois, eis que a marca sediada na cidade alemã de Wolfsburgo coloca um fim na produção do famoso Carocha em Portugal, Fusca no Brasil, ou Beetle no original em inglês.

Atualmente, só a nova versão do Carocha, lançado em 1998, é que ainda estava a ser produzida na fábrica de Puebla no México. O Carocha clássico deixou de ser produzido em 1978 nas fábricas alemãs, para passar a ser fabricado somente no México, terminando em 2003. O Carocha “um milhão” saiu da linha de produção de Wolfsburgo em 1955.

Ao fim de oito décadas, o veículo que atravessou diversos momentos históricos chegou ao fim de uma longa estrada. Foi idealizado durante a Alemanha nazi, mas o projeto só ganhou força no pós-guerra, tornando-se um símbolo do renascimento económico da Alemanha e da prosperidade da classe média. Internacionalizou-se, combateu vários gigantes do setor automóvel, e hoje é reconhecido mundialmente.

Depois de ser criado por Ferdinand Porsche, o mesmo criador dos desportivos Porsche, para combater os preços da Ford, os Estados Unidos da América tornaram-se o mercado externo mais importante para o fabricante automóvel. Só em 1968 venderam-se 563.522 veículos, cerca de 40% da produção total na altura.

“Ao contrário da Alemanha Ocidental, onde o seu baixo preço, qualidade e durabilidade representavam uma normalidade pós-guerra, nos Estados Unidos as características do Carocha emprestaram um ar não convencional a uma cultura automóvel dominada pelo tamanho e carisma”, escreveu Bernhard Rieger no seu livro “O Carro do Povo”, citado pela CBS.

O Carocha mais recente, apesar de não apresentar tantas vendas quanto o seu antecessor, foi baseado numa plataforma do veículo Golf, sob a direção do neto de Ferdinand Porsche, o seu desenhador original, Ferdinand Piech.

A última versão construída, com o desenho de 2012, dos 5.961 exemplares, vai ser exposta num museu mexicano, em Puebla, para marcar o fim da produção do famoso veículo.

 

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