O meu Cardeal Patriarca

O CDS teve sempre uma atenção imensa ao que realmente importa num partido que quer exercer o poder, e nunca perguntou a orientação sexual a ninguém.

Vivemos os últimos dias atordoados pelo apedrejamento público de D. Manuel Clemente. É nestes momentos que é preciso dar um passo em frente e dizer “presente”. Sim, o Sr. D. Manuel Clemente é exactamente o mesmo homem brilhantemente inteligente, amável, próximo, caridoso, que encantou enquanto pensador, homem de Deus, Bispo do Porto e no início do seu episcopado em Lisboa.

As declarações que fez no exercício do cargo que ocupa, e que reporta ao Papa Francisco, são exactamente aquelas que teria de fazer nestas circunstâncias. Depois da Exortação Apostólica Amoris Laetitia, o Santo Padre abriu uma porta caridosa cuja praticabilidade coerente chocou com a assunção das responsabilidades de cada um neste processo. O tempo provou a necessidade de uma clarificação que substituísse o pesado fardo de transferir para os ombros de bispos e párocos uma decisão baseada em intenções pias, mas difusas. O Sínodo interpretativo surge desta decorrência e obriga toda a hierarquia da Igreja a assumir claramente as suas directivas e responsabilidades, a começar pelo Papa.

O que D. Manuel Clemente faz é dar exactamente voz a este capítulo da vida da Igreja. Não inventa nada, não interpreta por si, não cria, limita-se a transmitir. Transmite o que o Papa e os bispos entendem sobre a matéria, nada mais. Mas não transmite aquilo que os inimigos da Igreja ouvem selectivamente e propalam aos gritos, rasgando as vestes.

Transmite muito claramente aos padres da sua diocese que não devem “deixar de propor a vida em continência” aos casais que estão unidos em segundo casamento e que não tenham tido o seu matrimónio católico declarado nulo. Isto sem deixar de “atender às circunstâncias excecionais e à possibilidade sacramental, em conformidade com a exortação apostólica e os documentos acima citados”. Esta segunda frase faz toda a diferença, e é intencionalmente ocultada pelos inimigos da Igreja. É tambem olimpicamente ignorada pelas cabeças-de-vento que preferem uma mentira catita a uma verdade exigente.

Por muito que os jacobinos, ávidos da destruição do nosso modelo social, digam que o divórcio é, a par do aborto, uma das maiores chagas sociais da actualidade, qualquer contributo que promova a sua banalização é um mal que se faz ao Homem e à sociedade. O divórcio deverá ser sempre excepção e radicalidade bem pensada e amadurecida; deverá ser a única via de saída para a preservação da dignidade e da verdadeira felicidade do individuo; nunca poderá, como já sucede, ser o meio light que faz do casamento um acto descartável pela oportunidade ou capricho.

A Igreja tem o seu tempo, que não é o tempo dos media ou da opinião pública. Acolhe todos sem diferença. Trata de forma diferente o que é diferente. Representa na Terra Quem tudo perdoa, mas não deixa de convocar, de exigir. A Igreja prevalecerá. Graças a Deus.

 

O meu CDS

As declarações de Adolfo Mesquita Nunes, assumindo com naturalidade a sua orientação sexual, abanaram a sociedade portuguesa. Abanaram naturalmente o CDS, e o CDS reagiu como sempre reagiu ao longo da sua história: cerrou fileiras na defesa de Adolfo Mesquita Nunes. Porquê? Pelo facto de o Adolfo ser homossexual? Não. Muito simplesmente porque o Adolfo é um homem sério, tem o dom de exteriorizar uma inteligência e uma capacidade de raciocínio brilhantes, provou ser um governante de excepção, é um advogado de referência, diz sempre o que pensa, respeita e é respeitado pelas pessoas do partido. Discriminá-lo pela sua orientação sexual provoca a repulsa de quem tem princípios, provoca a condenação do CDS.

Desde sempre que o CDS prefere os actos às proclamações. O CDS não é, nem nunca foi, estridente em manifestações anti-racistas porque nunca foi racista, nunca sentiu necessidade de vir gritar que não é uma coisa que intrinsecamente não aceita, nem compreende. Desde os primórdios, o CDS teve destacados protagonistas das mais diferentes etnias e raças, credos e ausência destes, e nunca perguntou a orientação sexual a ninguém. O CDS teve sempre uma atenção imensa ao que realmente importa num partido que quer exercer o poder; foi sempre exigente com a probidade, a rectidão, a capacidade de trabalho, a inteligência.

Estas foram qualidades centrais e determinantes dos Homens que orgulham o CDS. Ser branco, preto, hindu, heterossexual, gay, crente praticante, agnóstico, ateu, homem ou mulher nunca foi importante, nunca se pensou realmente no assunto, porque nos concentramos sempre naquilo que realmente interessa. É exactamente isto que faz do CDS um partido humanista e democrata-cristão. O respeito pelo Homem na sua individualidade, no seu personalismo.

É isto que permite ao CDS, independentemente da homossexualidade implícita ou explícita de alguns dos seus, ser contra o casamento gay, ou a adopção por casais homossexuais, por separar o respeito sagrado pelo indivíduo do experimentalismo social e das interferências no natural curso de vida de outros indivíduos.

É isto que permite ao CDS ser desassombradamente contra o aborto, independentemente do agnosticismo ou liberalidade de alguns dos seus, porque a Pessoa Humana está no centro de tudo, e não se respeita a espaços ou por critérios de conveniência.

É esta segurança que emana da naturalidade dos actos que dá ao CDS a maior das liberdades, a de quem pensa sem preconceitos, mas com princípios. É esta também uma responsabilidade que obriga o CDS e cada um dos que o fazem a pensar e projectar a direita para o futuro, inovando, aproximando, revolucionando, perante uma esquerda cada dia mais profundamente reaccionária.

O autor escreve de acordo com a antiga ortografia.

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