Angola continua a ter pela frente o imenso desafio de fazer a sua economia evoluir a um ritmo superior ao do crescimento da população. Para que isso seja verdade, a riqueza criada tem de aumentar mais de 3% anualmente, todos os anos, sem falta. Foi o que aconteceu em 2024 e deverá voltar a ser uma realidade ainda este ano e também no próximo, mas por pouco.
A economia a crescer a uma taxa mais baixa do que a da expansão do número de habitantes derruba a esperança, acaba com ela, porque fica apenas a promessa de que serão mais pobres no futuro próximo do que são hoje. É especialmente grave quando dois terços dos cerca de 38 milhões de habitantes de Angola têm hoje menos de 25 anos e que a meio do século serão metade, mas só essa fatia será idêntica a toda a população atual. São números esmagadores.
Só que, antes de responder a este desafio do crescimento há um outro, prévio, que é garantir a estabilidade, principalmente para chamar investimento, porque a tarefa hercúlea do desenvolvimento não se consegue, apenas, e a tempo, com recursos nacionais, muito menos com os constrangimentos identificados, da dívida à dependência do petróleo.
Angola está a abrir a economia, e bem, mas mesmo com o chamariz da oferta de crescimento quando outras regiões marcam passo, os investidores privados, estrangeiros, estão indisponíveis para suportar níveis elevados de risco, político, económico e social. Por isso, o caos instalado nos últimos dias em Angola é uma ameaça, para governantes e governados, e ambos têm de retirar ensinamentos disto, sob pena de se hipotecar o futuro.
Ter consciência do problema é sempre um bom ponto de partida.



