Incerteza, volatilidade, risco. Têm sido estes os termos com que caracterizamos os tempos atuais, desde 2019, o último ano do mundo antigo, pré-pandemia, em que tudo parecia previsível. É o novo normal e manter-se-á no próximo ano, é certo. Por causa da tensão geopolítica. Em 2025, foram contabilizados 59 conflitos ativos entre estados, o número mais elevado desde a II Guerra Mundial, que resultaram em 240 mil mortes, estima o ACLED.
Acresce a fricção acentuada entre blocos comerciais, mais visível pelas taxas aduaneiras impostas pela administração norte-americana e tão volúveis e intempestivas como muitas outras decisões tomadas por Donald Trump, que fazem o globo girar no fuso horário de Washington. Mas também a Europa, que se protege (vejam o que acontece com o aço) e a China que retalia, com implicações nas cadeias de abastecimento, ainda globais, apesar da geopolítica. A par das corridas existenciais, pela energia, pela inteligência artificial.
O mundo mantém-se incerto, volátil e arriscado, mas a economia resiste ao choque geopolítico. Anémica, na União Europeia, é certo, surpreendente nos Estados Unidos, que nunca mergulharam na recessão, mais pujante na Ásia, apesar da China.
Depois, Portugal, onde a economia cresce acima das médias europeias, da comunidade e da zona euro, exposta ao ambiente internacional, mas resistente às tempestades internacionais, que têm nomes, agora, mas são os de Trump, Putin, Hamas ou Bibi, ou as internas, com epicentro num parlamento fragmentado, no populismo ou no Ministério Público. Serão quase 2% de crescimento em 2025, um terço mais do que a Europa, e será idêntico em 2026 e no ano seguinte. A economia resiste e prospera, ajudada pelo PRR, é certo, mas de que os outros também beneficiam. Há mais negócio. As empresas estão mais competitivas. Temos quase pleno emprego, mas sem impacto inflacionista que releve. Um oásis.
Não tendo estes problemas, encontramos outros, porque quem devia não mediu o impacto social e nos serviços públicos da imigração súbita, porque continuamos sem fazer ideia de como devemos gerir os serviços de saúde ou as entradas no país, com muitos duelos de palavras e pouca ação concreta. Mesmo assim, um oásis. Um bom ponto de partida para o novo ano.



