Donald Trump não escondeu ao que vinha. Podemos discordar dos métodos utilizados para atingir os fins, mas não há cartas na manga. A intervenção na Venezuela é o corolário do anunciado “Golfo da América” e, nesse espaço, não cabem interesses russos, iranianos ou chineses.

Os venezuelanos viram a sua moeda desvalorizar mais de 99,99% contra o dólar e o nível de pobreza a disparar num país que é mais rico do que a Arábia Saudita. O regime falhou em toda a linha e a aproximação à Rússia e China, que mantinham linhas de crédito à Venezuela, era um risco para todo o Ocidente.

Durante anos, a Europa foi complacente com o que se passava naquele país, muito devido às comunidades portuguesa e espanhola, não percebendo que a diplomacia tem um limite. Resultado? A Venezuela estará agora a criar valor para os EUA.

O espaço que os EUA ocupam neste momento é aquele que a Europa não quis, pelo que arrisca ficar circunscrita apenas ao continente europeu, perdendo toda a relevância internacional. Qualquer dia nem em África terá influência.

Trump percebeu que a Europa não consegue decidir, não é capaz de atuar e que o seu modelo de governo está obsoleto. A apreensão do navio fantasma da frota russa é mais um exemplo disso mesmo. Quantos navios não passaram no Mar do Norte sob o nariz dos europeus? O sinal dado com a apreensão do navio russo é muito claro – na esfera de influência dos EUA isso não vai acontecer!

Noutra frente, a intervenção na Venezuela mostra como as Nações Unidas estão em falência técnica e moral, e como as instituições internacionais afinal… não funcionam.

Quantas eleições tiveram lugar e foram consideradas fraudulentas? Qual a capacidade que as Nações Unidas têm de intervir? É que quando os países se apercebem que é só conversa e não há consequências, então fazem tudo o que lhes apetece. É o que está a acontecer com os EUA, China e Rússia.

No caso da Colômbia, o aviso está feito. Ou continuam a votar num “maluco” ou escolhem outra pessoa. Cuba já tem data marcada para mudar de regime e a compra da Gronelândia está a ser preparada, provavelmente, através de um referendo. Simples e pragmático.

Em Portugal, anunciou-se com pompa e circunstância que o novo aeroporto de Lisboa estará concluído em 12 anos! A China constrói aeroportos em quatro anos e o Dubai, que está a construir o maior aeroporto do mundo com capacidade para 260 milhões de pessoas, vai demorar 8 anos!

A Europa envolveu-se num manto burocrático do qual não consegue sair. O oceano já não é Atlântico, é Americano.