O papel da Inteligência Artificial no Setor Público

Estudos internacionais da EY sobre Inteligência Artificial (IA) ao longo dos últimos anos mostraram uma evolução muito rápida do pensamento das empresas privadas sobre o tema

Estudos internacionais da EY sobre Inteligência Artificial (IA) ao longo dos últimos anos mostraram uma evolução muito rápida do pensamento das empresas privadas sobre o tema. Num ano as conclusões indicavam que a IA era vista como algo interessante a prazo mas não como uma prioridade de investimento. No ano seguinte a esmagadora maioria das empresas indicava ter já projetos em curso. O mesmo está já a acontecer em Portugal, com a EY a ter concluído diversos projetos que permitiram a empresas privadas ter um entendimento diferente do seu negócio, ganhar eficiência e reduzir custos.

Num estudo recente realizado em parceria com a Microsoft – “Inteligência Artificial no Setor Público” – a EY concluiu que dois terços dos inquiridos viam a IA como uma prioridade digital. No entanto, apesar de muitos governos locais, regionais e nacionais reconhecerem o potencial da IA, apenas 4% das organizações públicas inquiridas a escalaram para transformar a sua organização. Como resultado, apenas 10% das organizações inquiridas estão a usar a IA para resolver problemas complexos e 9% estão a usá-la para mudar significativamente as formas de trabalho. E apenas 12% estavam a usá-lo para criar valor significativo para stakeholders externos, como cidadãos e empresas.

A inteligência artificial pode fazer muito mais do que melhorar os processos governamentais. Quando bem aplicada, pode ser essencial na resposta a desafios globais de longo prazo e traduzir-se em melhores resultados para a sociedade em geral. A investigação demonstrou que a adoção de IA deverá trazer quatro benefícios principais:
n Otimizar processos para aumentar eficiência e produtividade. Por exemplo, as administrações públicas podem melhorar os seus fluxos de trabalho utilizando a IA para encaminhar inquéritos, permitindo automatizar o trabalho redundante e reduzir os erros.

n Transformar serviços para torná-los de melhor qualidade – e desenvolver novos. Nos cuidados de saúde, por exemplo, a IA pode melhorar os resultados analisando a informação individual do paciente e apoiando a identificação de tratamentos personalizados.

n Envolver as partes interessadas para melhorar a experiência de cidadãos e empresas. Nos transportes, a IA pode melhorar a experiência do utilizador para os passageiros utilizando dados históricos e em tempo real para prever a procura e garantir que os serviços estão sempre disponíveis no momento certo.

n Capacitar os colaboradores para obter melhores resultados com menos esforço. Por exemplo, os assistentes virtuais podem reduzir o tempo gasto a responder a inquéritos básicos, enquanto a análise preditiva permite uma tomada de decisão mais informada.

Em conjunto, estes benefícios permitiriam às organizações do sector público uma otimização de processos com melhores resultados para cidadãos e empresas e que as prepare para enfrentar desafios globais a longo prazo.

Quando se fala em IA surge inevitavelmente o tema do impacto em postos de trabalho. As tecnologias baseadas em IA podem assegurar trabalho repetitivo, com alto volume e pouco valor acrescentado, permitindo aos colaboradores concentrarem-se em tarefas mais relevantes para cidadãos e empresas. A IA também fornece insights para ajudar a sua tomada de decisão em questões complexas, em vez de substituir o julgamento profissional. Embora seja verdade que algumas funções se tornam obsoletas como resultado da IA, um dos maiores desafios na sua adoção é justamente na escassez de competências necessárias à implementação de projetos nesta área.

À medida que o estado digital se torna uma realidade, será tarefa dos governos garantir que os seus funcionários têm as competências, mentalidade e conectividade para prosperar, incluindo aqueles que trabalham remotamente. Da mesma forma, terão de melhorar a qualificação dos cidadãos para tirar o máximo partido dos serviços públicos digitais e da economia digital em geral. E terão de continuar a trabalhar com o setor privado para partilhar conhecimento e acelerar a inovação em serviços públicos.

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