O pilha-galinhas e a justiça

A grande diferença entre um banqueiro e um pilha-galinhas está na capacidade de pagar uma viagem em avião privado e estabelecer-se numa ilha paradisíaca.

1. Será que a justiça é diferente para ricos e pobres? O tema discute-se à mesa do café e a recente fuga de João Rendeiro, ex-presidente do Banco Privado, a uma detenção iminente foi avivar as cabecinhas de quem – não sendo fugitivo ou criminoso – tem a ambição e a inveja de o ser.

As páginas dos jornais e os noticiários da TV foram inundados com novos locais onde o ex-banqueiro poderá estar. Começaram por Londres, depois Brasil, passaram pelo Belize, nas Caraíbas, e à hora de fecho desta crónica os noticiários já falavam em Singapura.

De qualquer forma, percebe-se pelo blogue do ex-banqueiro que não tenciona voltar por não acreditar na justiça e que, por isso, estará num país que lhe permite escapar ao mandado internacional de detenção.

Mas voltando ao que aqui nos trás. Existem justiças diferentes? Claro que não e isto porque todos podem ser detidos e encarcerados. A grande diferença entre um banqueiro e um pilha-galinhas está na capacidade de pagar uma viagem em avião privado e estabelecer-se numa ilha paradisíaca. E não falemos apenas de Rendeiro mas do antigo Rei de Espanha, Juan Carlos, que foi para um resort no Médio Oriente.

Dizia um amigo que as regras até podem estar mal feitas porque os ricos pagam a bons advogados e, quando já não há apelo, pagam viagens para um paraíso o resto da vida, enquanto o pilha-galinhas irá passar uns anos entre quatro paredes mas com a benesse de ter tudo pago pelo contribuinte. A moralidade dos tribunais é absolutamente igual. Diferente é a solidão e a exclusão social.

Há um fenómeno no Japão ligado à solidão para quem se reforma, e alguns crimes visam o ingresso numa instituição para gerar companhia, enquanto países há que apostam nos cidadãos ostracizados como pena maior.

2. A vitória de Carlos Moedas na autarquia de Lisboa gerou um turbilhão de consequências para a oposição. O entusiasmo da vitória foi exagerado e só se percebe porque era algo em que poucos acreditavam, mas aconteceu e não aconteceu.

A assembleia municipal é dominada pela esquerda e é este órgão que governa. Moedas tem do lado dele a habilidade para negociar acordos, mas será um casamento difícil com quem lhe poderá dar a maioria. Vamos seguir a política de Lisboa porque voltou a ter interesse.

3. Costa, o PM, que tinha andado tão assertivo, está a ser vencido pelo cansaço. As críticas e os ataques dos últimos dias são um exagero. Tem um ministro, Pedro Nuno Santos, fora de controlo e que a propósito da CP ataca o ministro das Finanças (perdão, o PM) por não lhe dar o que quer. Este assunto é tratado em conselho de ministros, não na praça pública, exceto se se quiser gerar confronto.

Depois, temos a história da chefia da Armada, algo extemporâneo com o PR a desautorizar um ministro, este a ser defendido pelo PM e depois o secretário de Estado Jorge Sanches, a colocar água na fervura. Tudo remetido a um equívoco, embora ninguém acredite.

Costa não tem tudo controlado e daqui para frente irá, condicionado por Pedro Nuno Santos, tentar voltar a dominar a equipa. Pedro Nuno Santos ganhou um posto por vontade própria e uma remodelação da sua pessoa será vista como uma vingança. Resta “chutá-lo” para cima.

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