O que é nacional é bom…, mas, e o plano?

Num contexto de regresso das famílias às rotinas possíveis, aos postos de trabalho e às atividades letivas, num enorme esforço coletivo de superação, surgiram as estatísticas relativas a todas as atividades do setor do Turismo em julho

Num contexto de regresso das famílias às rotinas possíveis, aos postos de trabalho e às atividades letivas, num enorme esforço coletivo de superação, surgiram as estatísticas relativas a todas as atividades do setor do Turismo em julho. Segundo o INE, confirmou-se a importância decisiva da procura interna pelos nossos melhores recantos, pelos nossos melhores serviços relacionados com a oferta turística, o que obviamente não altera um cenário dramático do último semestre que apenas agora permitiu aos empregadores e aos trabalhadores ver uma luz ao fundo do túnel e manter a esperança na sustentabilidade de muitos investimentos.

O país registou, no mês de julho, em todo o setor de alojamento turístico, 1 milhão de hóspedes e 2,6 milhões de dormidas, correspondentes, respetivamente, a quebras de 64,0% e 68,1%, comparativamente ao período homólogo de 2019, tendo-se deste modo verificado uma recuperação relativamente às quebras registadas em Junho de 82,4% e 85,5%. As dormidas realizadas por residentes foram inferiores 30,8%, enquanto que as de não residentes sofreram uma redução de 84,5%, recuperações significativas relativamente ao mês de junho, cujas quebras eram, respetivamente, de 59,4% e 96,7%.

Para estes dados mitigadores dos nefastos efeitos provocados por esta crise pandémica contribuíram os três milhões de portugueses que, habituados a passar férias fora do país, escolheram desta vez experimentar a qualidade mundialmente reconhecida dos nossos produtos e serviços turísticos, valorizando o descanso em família fora dos grandes centros urbanos. Por este motivo, não são surpresa alguns dados que confirmam a crescente capacidade de resposta de qualidade dispersa por todo o país, alicerçada na atratividade inata das capitais de distrito, enquanto polos de património e recursos físicos e humanos, mas também decisivamente nas infraestruturas de transportes, que em função da acessibilidade potenciada permitem ao viajante a melhor mobilidade entre experiências, e desde logo essa mesma, quantas vezes de cenários idílicos que nos ficam para sempre na memória, onde gostaríamos de voltar.

Tudo isto que todos sabemos mas que nem sempre valorizamos com as devidas consequências ao nível do planeamento e da distribuição criteriosa de Investimento ao longo do território nacional, avaliando necessariamente o custo-benefício da generalidade dos gastos públicos e potenciando a capacidade de promoção das zonas mais periféricas, explica que nos sete primeiros meses do ano as regiões que melhor mitigaram o impacto da pandemia tenham sido o Alentejo, o Centro e o Norte, com diminuições de 46,2%, 58,9% e 61,5%.

São estas infraestruturas, da rede rodoviária, da rede ferroviária e que futuramente poderá incluir uma rede de ecovias e ciclovias, requalificando e potenciando trajetos e estruturas existentes, o imenso Património e recursos naturais existentes, muitas vezes abandonado, desvalorizado e maltratado, inclusive pelo próprio Estado central e local, que podem também fazer a diferença de um Portugal de ainda maior futuro na oferta turística.

Como temos reconhecidamente demonstrado no setor do turismo, Portugal faz bem. Será portanto decisivo, enquanto país, nos mais distintos níveis de responsabilidade e de decisão, comunitária, de participação cívica e obviamente ao nível dos decisores políticos nacionais, regionais e locais, o que todos possamos agora consensualizar ou não sobre o Plano de Investimentos Públicos e a desejável descentralização criteriosa dos mesmos, apresentado esta semana pelo Governo, que é, recorde-se, de Portugal, de todos nós.

Assim possa este plano, ou melhor, a futura execução do mesmo, também o ser.

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