Num contexto de maior incerteza e concorrência internacional, a terceira temporada do Observatório do Imobiliário volta para discutir o essencial: como preservar a confiança dos investidores e garantir condições para continuar a atrair capital. É este o ponto de partida que reúne diferentes perspetivas sobre os desafios e oportunidades que se colocam ao mercado.
O que deve o país fazer para continuar a captar investimento estrangeiro num cenário mais competitivo e volátil? A resposta não é linear, mas passa inevitavelmente por estabilidade, previsibilidade e confiança, três fatores que têm vindo a ser postos à prova.
Neste episódio intitulado “Presente e futuro do setor: o que fazer para Portugal continuar a ser atrativo internacionalmente”, o painel reúne quatro protagonistas com visões complementares sobre o mercado: João Pratas, Presidente da Associação Portuguesa de Fundos de Investimento, Pensões e Patrimónios (APFIPP), Francisco Sottomayor, CEO da Norfin, Pedro Marinho Falcão, Sócio Fundador da Sociedade de Advogados Cerejeira Namora, e Nuno Durão, Managing Partner da Fine & Country Portugal. Em conjunto, vão traçar um retrato atualizado do setor e antecipar os principais desafios dos próximos anos.
Um dos temas incontornáveis é o recente pacote fiscal aprovado. Se, por um lado, algumas medidas procuram responder a pressões sociais e políticas, por outro levantam dúvidas quanto ao impacto na perceção externa de Portugal enquanto destino de investimento. A consistência das políticas públicas e a clareza das regras do jogo são fatores críticos num mercado global onde os investidores comparam jurisdições de forma cada vez mais exigente.
Neste contexto, ganha particular relevância o papel dos fundos imobiliários enquanto instrumentos de captação de capital. Num ambiente de maior incerteza, surgem como uma via estruturada e profissionalizada para canalizar investimento, permitindo diversificação de risco e maior eficiência na gestão de ativos. A sua evolução e enquadramento regulatório serão determinantes para perceber até que ponto Portugal consegue continuar a posicionar-se como um mercado competitivo.
Ao mesmo tempo, o setor enfrenta transformações estruturais. A pressão sobre os preços, a necessidade de responder a desafios habitacionais e a integração de critérios ESG (Environmental, Social, and Governance) estão a redefinir prioridades. Já não basta atrair investimento, é necessário garantir que esse investimento contribui para um desenvolvimento equilibrado e sustentável.
Outro ponto que merece atenção é a digitalização do setor imobiliário. Ferramentas tecnológicas avançadas, análise de dados e plataformas de investimento online estão a transformar a forma como investidores nacionais e estrangeiros avaliam oportunidades. Portugal precisa de acompanhar estas tendências, promovendo transparência, eficiência e acessibilidade, de modo a reforçar a sua imagem como mercado moderno e competitivo.
Além disso, a capacidade de inovação em produtos e serviços imobiliários pode ser um diferencial. O desenvolvimento de soluções adaptadas a novos perfis de investidores, como residências flexíveis, coworkings e projetos sustentáveis, poderá aumentar a atratividade do país, alinhando-se com tendências internacionais de investimento responsável e experiência do utilizador.
A cooperação entre setor público e privado assume também um papel estratégico. Este alinhamento será crucial para consolidar Portugal como destino de eleição, não apenas pela reputação histórica, mas pela capacidade de se adaptar de forma ágil às exigências de um mercado global em transformação.
A dimensão internacional mantém-se, assim, como um elemento decisivo para o presente e futuro setor. Portugal beneficiou, durante anos, de uma combinação favorável de fatores. segurança, qualidade de vida, regime fiscal competitivo, que o colocaram no radar global. Hoje, muitos desses elementos mantêm-se, mas o contexto mudou. Outros mercados ganharam protagonismo e a margem para decisões erráticas é mais curta.
É precisamente neste equilíbrio entre continuidade e adaptação que reside o futuro do setor. A atratividade de um país constrói-se com uma estratégia consistente, capaz de responder às expectativas dos investidores sem perder de vista as necessidades internas.
O novo ciclo do Observatório do Imobiliário arranca, assim, com um debate que é tanto atual como estrutural. Mais do que analisar o momento presente, importa antecipar caminhos e perceber que decisões terão de ser tomadas hoje para garantir que Portugal continua, amanhã, a ser visto como um destino de confiança para investir.
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