O que vai acontecer ao seu dinheiro em 2019?

O próximo ano está a bater à porta e é altura de começar a fazer contas à vida e a preparar o orçamento familiar para 2019. Saiba o que vai ficar mais caro (e mais barato) no ano que aí vem.

Bundles of 10 Euro banknotes move along a conveyer belt at the Money Service Austria company’s headquarters in Vienna, Austria, November 16, 2017. REUTERS/Leonhard Foeger – RC15FAB34640

O novo ano é quase sempre sinónimo de aumento de preços e 2019 não será excepção. Rendas, portagens, transportes e telecomunicações estão entre os bens e serviços cujo preço vai aumentar em janeiro, podendo ainda haver mais subidas em 2019. As bebidas não alcoólicas com mais açúcar também vão ser penalizadas, com o Orçamento do Estado a colocar mais taxas nestes produtos.

O tabaco também sobe de preço e pode chegar a custar mais 10 cêntimos por maço. Contra a corrente, está o preço da eletricidade, que deverá sofrer uma descida de 3,5%. Do lado das boas notícias está ainda a gratuitidade dos manuais escolares para alunos até ao 12º ano no ensino público, que levará a um alívio que poderá chegar aos 400 euros por agregado familiar.

Os salários vão aumentar?

Sim. O salário mínimo nacional vai aumentar para 600 euros no próximo ano, beneficiando cerca de 750 mil trabalhadores. Já na Função Pública, os vencimentos mais baixos vão ser atualizados em 55 euros, para 635 euros.

O crescimento destes salários vai contribuir para a aceleração dos salários mais situado num escalão mais acima, ainda que de forma “moderada”:  “O País está a passar por uma boa conjuntura” e a maioria das empresas consultadas pela Hays considera que “a situação económica irá manter-se” em 2019, diz Carlos Maia, ‘Regional Director’ da Hays Portugal, consultora especializada em emprego e recrutamento especializado.

As perspetivas otimistas superam as pessimistas, “com 19% dos inquiridos a acreditar numa melhoria, contra 16% que acreditam no oposto”. Assim, “o que entendemos é que haverá certamente um aumento salarial”, acrescenta o responsável da Hays Portugal, concluindo que as funções que vão ser mais beneficiadas em 2019, no que diz respeito a aumentos, serão as das áreas comercial, de tecnologias da informação (TIC), de engenharia e de marketing e comunicação, “dada a elevada procura dos empregadores.”

E as pensões?

As pensões vão aumentar entre 0,78% e 1,5% em janeiro de 2019, segundo cálculos feitos com base nos valores da inflação de novembro publicados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE) e confirmados pelo Ministério do Trabalho.

Assim, as pensões até dois Indexantes de Apoios Sociais (IAS), ou seja, até 870,66 euros brutos, onde se inclui a maioria dos pensionistas, aumentam 1,5% em janeiro. Além disso, por via do aumento extraordinário, que em 2019 será aplicado logo em janeiro (e não em agosto como este ano e anos anteriores), as pensões até 635 euros podem contar com um aumento extra que irá elevar a pensão, no total, até 10 euros. Por sua vez, as pensões entre duas vezes e seis vezes o valor do IAS (entre 870,66 euros e 2.612 euros brutos) serão atualizadas em 1,03%, enquanto as pensões superiores a este montante e até 5.224 euros aumentarão 0,78%.

Acima deste valor, ou seja, para pensões acima do valor de 12 IAS (5.224 euros) não há aumentos.

O que vai acontecer à prestação da casa?

Depois de ter batido no fundo, atingindo valores historicamente baixos, a Euribor, o principal indexante dos contratos à habitação em Portugal, vai registar uma tendência ascendente no próximo ano. “Esperamos que as Euribor os 6 e 12 meses subam entre 10 e 15 pontos base em 2019, a um ritmo ligeiramente mais acelerado do que o se verificou durante este ano”, diz Filipe Garcia, economista da IMF – Informação de Mercados Financeiros.

Essa é também a previsão do Governo, contemplada na proposta do Orçamento do Estado (OE) para 2019. “Num contexto de redução gradual do impacto dos estímulos não convencionais adoptados nos últimos anos pelo BCE, a taxa de juro de curto prazo (Euribor a 3 meses) deverá exibir um perfil ligeiramente ascendente”.

As estimativas que constam da proposta do OE para este ano contemplam um valor médio da Euribor de -0,3%, enquanto no próximo ano as estimativas apontam para os -0,1%.

Perante este cenário, o economista da IMF recomenda: “esta poderá ser uma altura interessante para tentar renegociar as condições do crédito à habitação, sobretudo para quem tenha spreads iguais ou acima de 1.75%.”

Como fugir às taxas zero dos seus depósitos?

Os juros oferecidos pelos bancos nas aplicações a prazo continuam a renovar mínimos e com a inflação a rondar 1,5%, em 2019, é quase certo que as poupanças aplicadas em depósitos vão perder valor real.

António Ribeiro, economista da DECO, recomenda assim que, no próximo ano, aplique em depósitos “apenas o mínimo para constituir o fundo de emergência”, ou seja, “aquele montante necessário para fazer face a imprevistos”.

Segundo o economista, a melhor proposta de depósito a 12 meses vai render 0,9% (Banco Invest), um valor bem abaixo da taxa de inflação. Assim, deve procurar aplicar as poupanças “em produtos de médio e longo prazo repartindo entre capital garantido e uma componente sem capital garantido, com maior potencial de rendimento.”

Nas aplicações de capital garantido, a sugestão é que  “aplique em Certificados do Tesouro Poupança Crescimento, que fazem parte da dívida pública; seguros de capitalização e um PPR sob a forma de seguro.

“Para quem pode correr algum risco, deve aplicar uma parte da carteira em produtos sem capital garantido: “um fundo PPR é essencial sobretudo a quem tenha menos de 57 anos, ainda longe da reforma; ou  constituir uma carteira de fundos”, propõe António Ribeiro.

Artigo originalmente publicado na edição impressa de 28 de dezembro de 2018

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