O renascer do conservadorismo

Banir a ideia de que ser conservador é constrangedor e provoca má consciência tornou-se um imperativo.

O pensamento conservador ocidental fundado na doutrina cristã, tem encontrado na nossa democracia muitas resistências e tem visto o seu tónus enfraquecer, sobretudo, porque revela incapacidade de se modernizar e adaptar os seus conceitos às novas realidades, mantendo-se, por isso, em crise.

Mas as crises oferecem liberdade criativa e períodos de reflexão positiva que os conservadores deverão aproveitar. Aliás, o conservadorismo, amante da liberdade e da ordem – da liberdade política e da ordem social – está a fazer caminho muito lentamente entre as novas gerações da direita portuguesa.

Banir a ideia de que ser conservador é constrangedor e provoca má consciência tornou-se um imperativo. É preciso repetir que ser conservador não significa ser retrógrado, reacionário e avesso à mudança e, sobretudo, não é indicador de inferioridade intelectual. Há, por isso, que criar em Portugal a cultura da direita conservadora.

Há muitos anos que os partidos tradicionalmente à direita do espetro se envergonham dos seus sinais conservadores e preferem afirmar-se do centro para atrair o eleitorado flutuante.

Está chegada a hora de construir um projeto cultural alternativo que afirme, sem complexos, as virtudes do conservadorismo, mas para isso é essencial ter a coragem de prosseguir um desiderato – lutar, sem tréguas, por uma revisão da Constituição que retire o primado da governabilidade aos partidos do espetro de matriz socialista. Isto porque continuamos a ter uma Lei fundamental com uma fortíssima carga ideológica e de inspiração sectarista, o que é intolerável numa democracia de tipo ocidental.

As regras vêm antes das instituições e são prevalentes em relação a elas, esta é uma prioridade esquecida e, quase sempre, anulada pelas lógicas de poder. Mas é exatamente isto que tem que mudar para vingar, de uma vez por todas, a credibilidade do sistema político e os conservadores são os que estão em melhores condições de o prosseguir.

Porquê? Porque acreditam, com realismo, na ordem social como via evolutiva, sem nunca perder de vista a sua reforma periódica e gradual.

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