“O senhor jornalista tem aqui material que é inflamável”. As frases que marcam o caso das golas antifumo

Entre 26 e 30 de julho, o caso das golas antifumo gerou reações intempestivas do ministro e declarações incrédulas do líder da oposição nas redes sociais.

Twitter/Administração Interna PT

 

“O senhor jornalista tem aqui material que é inflamável”

O ministro reagiu assim à notícia avançada a 26 de julho pelo Jornal de Notícias a revelar que a Proteção Civil entregou setenta mil golas antifumo fabricadas com material inflamável e sem tratamento anticarbonização, que custaram 125 mil euros, foram entregues pela Proteção Civil no âmbito do programa “Aldeia Segura – Pessoas Seguras”.

 

“Face às notícias publicadas sobre aspetos contratuais relativamente ao material de sensibilização, o ministro da Administração Interna pediu esclarecimentos à Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil e determinou a abertura de um inquérito urgente à Inspeção-Geral da Administração Interna”

No dia seguinte, a 27 de julho, o ministro da Administração Interna, Eduardo Cabrita, decidiu abrir um inquérito urgente sobre a contratação de material de sensibilização para incêndios, na sequência de notícias sobre golas antifumo com material inflamável distribuídas no âmbito do programa “Aldeias Seguras”.

 

“Os contratos, caderno de encargos, as condições de seleção dos concorrentes, é da responsabilidade da Autoridade Nacional da Proteção Civil”

José Artur Neves, à data secretário de Estado da Proteção Civil, disse a 28 de julho que a responsabilidade é da Autoridade Nacional da Proteção Civil. Este governante garantiu ainda que não se demitia.

 

“Podemos dizer que as golas testadas não se inflamaram – isto é não entraram em combustão com chama – mesmo quando sujeitas a um fluxo de calor de muito elevada intensidade, produzido por chamas cuja altura variou entre um e quatro metros, mesmo quando colocadas a uma distância inferior a 0, 5 metros das chamas, durante mais de um minuto”

As golas antifumo contratadas pela Proteção Civil foram testadas a pedido da Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil  (ANEPC) e este teste, divulgado a 30 de julho, concluiu que este adereço não se inflama mesmo estando em contacto com chama ou a menos de meio metro de chamas.

 

“Isto é mesmo verdade? Uma empresa de turismo, criada há poucos meses pelo marido de uma autarca do PS, vende um produto inflamável para usar durante os incêndios a preços muito superiores aos de mercado?”

Rui Rio reagiu ao caso a 27 de julho através da rede social Twitter

 

“Tudo o que foi dito neste caso foi bastante confuso e é difícil de compreender e nestas questões [de proteção civil] todo o cuidado é pouco”

Catarina Martins, coordenadora do Bloco de Esquerda, reagia assim, a 28 de julho, à abertura de um inquérito urgente sobre contratação de material de sensibilização para incêndios, na sequência de notícias sobre golas antifumo com material inflamável distribuídas no âmbito do programa “Aldeias Seguras”.

 

“Na sequência do pedido de exoneração, por motivos pessoais, do Secretário de Estado da Proteção Civil, o Ministro da Administração Interna aceitou o pedido e transmitiu essa decisão ao Primeiro-Ministro”

Nota do ministério liderado por Eduardo Cabrita, a 18 de setembro.

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