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“Onde está a acontecer o aquecimento global? Olhem para os oceanos”. Temperaturas sobem mais que o previsto

O aquecimento dos oceanos é um marcador crítico das alterações climáticas porque se estima que 93% do excesso de energia solar retida pelos gases com efeito de estufa se acumula nos oceanos.
13 Janeiro 2019, 17h00

A temperatura dos oceanos no mundo continua a aquecer, e segundo os cientistas, mais rapidamente do que estava previsto. No mais recente relatório publicado pela revista ”Science” é possível concluir que os oceanos continuam a aquecer em média 40% mais rápido do que havia sido estipulado no painel das Nações Unidas há cinco anos. Os investigadores também concluíram que as temperaturas do oceano quebraram recordes durante vários anos consecutivos.

“Se se quiser saber onde está a acontecer o aquecimento global, há que olhar para os oceanos”, disse Zeke Hausfather, da Universidade da Califórnia, co-autor da análise.

“Enquanto 2018 será o quatro ano mais quente registado à superfície, deverá ser também o mais quente já registado nos oceanos, como foram 2017 e 2016”, disse Hausfather.

À medida que o planeta foi aquecendo, os oceanos tiveram um papel de amortecedor, absorvendo 93% do calor aprisionado pelos gases estufa que continuamente bombardeiam a atmosfera.

“Se o oceano não absorvesse tanto calor, a superfície da terra já teria aquecido muito mais rapidamente”, disse Malin L. Pinsky, professor associado do departamento de ecologia, evolução e recursos naturais da Universidade Rutgers, na Nova Jérsia. “Na verdade, o oceano está a salvar-nos do atual aquecimento na Terra”, esclareceu.

Mas as altas temperaturas da água estão, na verdade, a matar os ecossistemas marinhos e a aumentar os níveis do mar, o que faz com que as catástrofes naturais marinhas sejam cada vez mais fatais.

Enquanto os oceanos continuam a aquecer, esses efeitos tornam-se cada vez mais catastróficos, dizem os cientistas. Tempestades como o furacão Harvey em 2017 e o furacão Florence em 2018 vão-se tornar mais comuns, e os litorais irão sofrer inundações com maior frequência.

Os recifes corais, cujas populações de peixes são fontes de alimento para centenas de milhões de pessoas, ficarão sob pressão. Atualmente, mais de metade dos recifes corais já foram destruídos.

Além da análise de estudos anteriores, a análise tem em conta os dados do programa Argo, uma frota de quase 4.000 robots flutuantes que vagueia nos oceanos e que ciclicamente vai mergulhando a dois mil metros e mede as temperaturas, o ph, ou a salinidade, transmitindo depois esses dados para estações em terra. O Argo fornece dados desde a década passada.

 

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