ONU com poucos recursos financeiros para celebrar aniversário da organização

Este ano as Nações Unidas celebram o seu 74.º aniversário numa altura em que atravessa a pior crise económica em mais de uma década. António Guterres tem em marcha um plano de redução de custos para que a atividade não seja comprometida, incluindo as celebrações do aniversário da organização.

Denis Balibouse/Reuters

“Estamos num ponto de inflexão, e o que fizermos a seguir será importante para os anos que virão”, afirmou António Guterres no dia em que foi anunciado que as Nações Unidas estavam a enfrentar a maior crise económica em mais que uma década.

Em maio, Guteres anunciou que faltavam cerca de 440 milhões de euros à ONU e alertou aos estados-membros que efetuassem a liquidação da dívida o quanto antes para evitar um cenário “catastrófico” que magoasse a reputação e dificultasse a operacionalidade da organização.

Esta quinta-feira, a organização mundial celebra 74 anos desde a sua fundação. Após uma guerra que deixou várias nações em ruínas, o mundo queria paz. Foi em São Francisco, em 1945, que vários líderes mundiais se juntaram para pôr fim a este período negro da história e desenvolver um mecanismo que acabasse com o flagelo da guerra, um fórum que permitisse às nações trabalhar em conjunto por um mundo pacífico. Porém, a organização enfrenta agora a “pior crise financeira em quase uma década”.

A ONU, que tem um orçamento previsto de cerca de 2,9 mil milhões de euros para 2019, recebe o seu financiamento através das contribuições dos Estados-membros. No final de setembro, a organização registava apenas 70% do montante necessário para a operatividade disposta no orçamento do ano, o que se traduzia num défice de 210 milhões de euros no mesmo período.

Até 10 de outubro, apenas 131 dos 193 membros tinham pago a sua cota parte, o que soma cerca de 1,78 mil milhões de euros. Portugal contribuiu com 8,6 milhões de euros a 23 de abril, quatro meses depois do prazo estipulado pela União Europeia, que antecipava receber todos os cheques a 31 de janeiro deste ano.

O montante das contribuições depende da força económica de cada país. Os EUA são atualmente os maiores doadores, contribuindo com 22% do orçamento da ONU. Atualmente, o governo em Washington deve à organização cerca de 380 milhões de dólares em pagamentos atrasados e cerca de de 670 milhões de dólares para o orçamento do ano corrente, ou seja, mais de mil milhões de dólares no total. Donald Trump já anunciou que o Governo norte-americano vai pagar, antes do final do ano, “a maior parte” da sua dívida de deste ano à ONU.

O Brasil, Irão, Israel, México, Coreia do Sul, Arábia Saudita e Uruguai também ainda não avançaram com as suas contribuições e, juntos, são responsáveis por 97% do dinheiro em falta.

Ao contrário das nações que podem emprestar dinheiro dos mercados de capitais globais ao emitirem títulos, as Nações Unidas não têm essa autoridade. Portanto, não é tão incomum que os funcionários do orçamento da organização expressem preocupação quando vêem as suas despesas a ultrapassar a receita, o que geralmente acontece no último trimestre do ano civil.

Até que as cotas sejam pagas e para limitar os gastos no último trimestre, o chefe da ONU mencionou a possibilidade de adiar conferências, reuniões e reduzir os serviços que estão a ser prestados. Também foram dadas instruções para restringir viagens oficiais aos eventos mais essenciais, adiar compras de bens e serviços, poupar nos recursos energéticos na sede, nova mobília ou substituição de aparelhos tecnológicos. Isso também implica que as celebrações para o dia das Nações Unidas para esta quinta-feira, 24 de outubro, sejam reduzidas, se não, canceladas.

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