‘Open banking’, abanando o statu quo

Espera-se que este ano a adoção e a compreensão do ‘open banking’ aumentem significativamente à medida que as consequências da Covid moldam os comportamentos e vidas no longo prazo.

Dizer que 2020 foi um ano transformador é pouco e os serviços financeiros não ficaram imunes à disrupção transversal causada pela Covid-19. Mas, mesmo antes da Covid-19, o open banking já era uma revolução silenciosa, encorajada por mudanças regulatórias e estimulada pela competição crescente e inovação no setor.  A pandemia, em vez de paralisar o movimento do “Open Banking”, foi o pé no acelerador – acelerando a mudança para o digital e lançando novos desafios dos clientes aos quais os bancos precisam responder, com urgência.

Agora, à medida que lidamos com novas realidades sociais e económicas de vida com a Covid é vital que as instituições financeiras continuem a dar prioridade ao open banking a fim de apoiarem os seus clientes através de novas formas e proporcionarem serviços financeiros acessíveis de forma integrada através dos canais digitais.

Mas como podemos conseguir isto?

No ano passado, a Tink quis saber junto de executivos financeiros de instituições europeias – entre elas portuguesas – as suas atitudes e investimentos em open banking. O resultados publicados em 4 relatórios, revelaram uma indústria pronta para abraçar os benefícios do open banking mas ainda numa fase inicial da viagem. Conseguimos identificar quatro áreas chave para ajudar os executivos financeiros a aproveitarem ao máximo as oportunidades do open banking.

Desenvolver uma estratégia robusta de ‘open banking’

As instituições financeiras estão cada vez mais atentas às oportunidades do open banking61% disseram sentir-se otimistas. No entanto, 42% não tinham uma estratégia clara para a criação de valor e aproveitar todos os benefícios possíveis. E uma das principais razões era a falta de clareza sobre como realizar o seu potencial.

Em 2021, os vencedores serão os executivos que conseguirem traduzir a oportunidade do open banking numa estratégia robusta. É importante que os bancos não o vejam como um exercício de compliance mas como um serviço que oferecem aos clientes. Felizmente, os executivos estão agora a ver a oportunidade de automatizar ou acionar processos com base na capacidade de ler dados e movimentar capital. Trata-se uma jornada que provavelmente irá começar com casos de uso de open banking mais elementares e que, ao longo do tempo, irão evoluir para casos mais complexos e sofisticados.

Alocar o orçamento de forma inteligente e estratégica

Embora a mudança positiva nas atitudes seja uma indicação sólida da importância do open banking, ela não reflete totalmente a importância do movimento. O estudo mostrou que as instituições financeiras em toda a Europa estão a investir muito no open banking, com gastos médios entre os 50 e os 100 milhões de euros, ao mesmo tempo que 45% dos executivos têm orçamentos de investimento ainda maiores. E como nem todas as instituições financeiras têm orçamentos desta escala, a chave aqui é alocar o orçamento de maneira inteligente e estratégica – injetando-o nas áreas de negócios que maximizam o ROI.

Fluxo do Investimento

O nosso estudo revelou que 71% dos executivos financeiros apontavam o compliance como a principal área de investimento – aquele que agrega valor imediato para o negócio melhorando a aquisição e o envolvimento do cliente, bem como a produtividade interna. Com o compliance a ser visto como uma missão crítica para manter o negócio a funcionar é compreensível que muitas instituições financeiras continuem a concentrar-se nesta área.

Os executivos devem avaliar onde investir depois, avaliando a complexidade, o impacto e a urgência pelo open banking em cada segmento. E onde quer que os concorrentes estejam a conquistar quota de mercado das empresas existentes, essa será a área mais imediata para investir.

Prioridade às parcerias

Por último – mas não menos importante – para aproveitar os benefícios do open banking as instituições financeiras precisam de formar parcerias estratégicas e bem-sucedidas com fintechs. Felizmente, em toda a Europa, 22% das instituições financeiras já têm uma parceria de fintech para aceder às tecnologias de open banking, com muitas a trabalhar com mais de um parceiro. Por outro lado, 70% dos executivos sem uma parceria indicavam que estabelecer uma parceria com uma fintech para acesso a tecnologia de open banking era uma prioridade – uma tendência que esperamos que continue e cresça em 2021.

Espera-se que este ano a adoção e a compreensão do open banking aumentem significativamente à medida que as consequências da Covid moldam os comportamentos e vidas no longo prazo. As instituições financeiras têm uma oportunidade de ouro para responder de forma proativa à situação atual – dando prioridade e impulsionando a banca e pagamentos digitais para responderem à crescente procura por soluções online e mobile. Os vencedores serão aqueles que aproveitarem o open banking e se focarem no desenvolvimento de soluções bancárias inovadoras ajustadas às circunstâncias individuais de clientes e das empresas.

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