[weglot_switcher]

Organizações em Portugal priorizam eficiência operacional em detrimento da gestão de desempenho

Estudo do BCG revela que as organizações continuam a dar prioridade ao reforço da estrutura e eficiência operacional da função de RH, relegando para segundo plano áreas como gestão de desempenho e desenvolvimento de competências.
17 Março 2026, 21h30

Os Recursos Humanos são cada vez mais o motor estratégico das organizações a nível global, salienta o inquérito Creating People Advantage 2026: Four Power Moves for the CHRO, desenvolvido pela Boston Consulting Group (BCG) em parceria com a World Federation of People Management Associations (WFPMA).

E Portugal neste contexto?

“Os dados mostram que, em Portugal, as organizações continuam a dar prioridade ao reforço da estrutura e eficiência operacional da função de RH, um passo importante para consolidar bases. No entanto, num contexto de aceleração tecnológica e transformação profunda das competências exigidas, o verdadeiro diferencial competitivo estará na capacidade de desenvolver competências críticas e de gerir desempenho de forma consistente”, explica Eduardo Bicacro, Managing Director & Partner da BCG em Lisboa.

O responsável acrescenta ainda que “num mercado de trabalho cada vez mais global e aberto, a capacidade de reconhecer mérito, proteger talento e acelerar competências será determinante para reforçar a competitividade das empresas portuguesas”.

Em Portugal, o estudo recolheu 85 respostas de profissionais de diferentes setores e níveis de responsabilidade, contribuindo para a análise das prioridades das organizações nacionais na gestão de talento e na transformação empresarial.
Os primeiros resultados indicam que, face ao panorama global, as organizações nacionais continuam a dar maior prioridade a temas relacionados com a organização e estrutura da função de RH. Em contrapartida, áreas como gestão de desempenho e desenvolvimento de competências surgem com menor destaque relativo.
“Para a APG, este estudo representa uma referência para compreender a maturidade e as prioridades da gestão de pessoas em Portugal. Esta parceria permite-nos reforçar a qualidade da reflexão, disponibilizando ao ecossistema nacional evidências sólidas para decisões mais informadas, num momento em que o papel dos RH é verdadeiramente determinante para a competitividade das organizações”, afirma Generosa do Nascimento, presidente da Associação Portuguesa de Gestão das Pessoas (APG), entidade que representa Portugal na World Federation of People Management Associations (WFPMA).
Os resultados do estudo evidenciam o papel cada vez mais central dos Recursos Humanos na transformação das organizações e reforçam a importância de alinhar a estratégia de pessoas com as prioridades de negócio num contexto de mudança acelerada.

A nível global, o recolheu mais de 7.000 respostas em 115 mercados e 25 setores de atividade, revela ainda que as organizações com maiores capacidades na função de RH registam menor rotatividade e conseguem preencher funções críticas, em média, entre 17 e 18 dias mais rapidamente do que os seus pares.

A maioria (65%) dos líderes seniores consideram os RH um impulsionador direto de transformação e criação de valor.

Outra conclusão é a de que a Inteligência Artificial está a ganhar espaço nas organizações, mas o seu impacto estratégico permanece desigual.
Cerca de 70% das empresas inquiridas afirmam já utilizar tecnologias de Inteligência Artificial generativa, sobretudo em áreas como reporting, formação ou recrutamento. Ainda assim, apenas 38% consideram que esta tecnologia tem atualmente elevada relevância estratégica para as suas organizações. Entre os principais obstáculos à sua adoção destacam-se preocupações relacionadas com privacidade e conformidade de dados, identificadas por 51% dos líderes.

Copyright © Jornal Económico. Todos os direitos reservados.