Os bons líderes servem. Os maus servem-se

Melhorar a nossa produtividade passa também por ter melhores líderes nas organizações públicas e privadas. Portugal precisa de valorizar e cultivar a boa liderança.

Em Portugal, fala-se muito sobre a qualificação dos recursos humanos, a digitalização e outros desafios que se colocam às empresas, à administração pública e a outras organizações. Mas será que a necessidade de ter bons líderes em todos os níveis hierárquicos é uma prioridade para as nossas organizações? Será a boa liderança, que cria valor para as organizações, devidamente apreciada e cultivada no nosso país?

Jack Welch, que nos deixou esta semana, defendia entre outras coisas que o papel do líder consiste em ver mais longe, indicando o caminho a seguir pela organização e fazendo com que, nesse processo, os elementos da sua equipa possam crescer do ponto de vista humano e profissional. “Um líder não é alguém a quem foi dada uma coroa, mas a quem foi dada a responsabilidade de fazer sobressair o melhor que há nos outros”, escreveu.

Para o antigo CEO da General Eletric, o bom líder une e motiva, estabelece elevados standards éticos, lidera pelo exemplo, energiza e transforma positivamente a organização, contribuindo para que esta possa criar valor.

A experiência de cinco mil anos de civilização, em áreas como a guerra, a política e os negócios, parece ir ao encontro da tese de Welch. A liderança não é o único factor a ter em conta, mas o que têm em comum a maioria das organizações que conseguem triunfar em circunstâncias adversas? Antes de tudo o resto, bons líderes.

Evidentemente é mais fácil falar do que fazer e não existem líderes perfeitos. Mas no fim do dia algumas pessoas são mais eficazes, neste campo, do que outras. O que as distingue? O que realmente faz a diferença em termos de liderança?

Em primeiro lugar, bons líderes admitem que não sabem tudo e procuram rodear-se pelos melhores, sem medo de ficar à sombra.

Bons líderes motivam as pessoas das suas equipas e ajudam-nas a crescer, ao contrário dos ‘chefes’ narcisistas que colocam os interesses pessoais acima do bem comum.

Bons líderes ‘extraem’ o melhor de cada elemento das suas equipas e procuram atrair e reter talento. Conseguem colocar-se na pele dos outros e sabem que o capital humano é o factor crítico de sucesso em qualquer projeto. Uma empresa pode ser bem sucedida mesmo que não tenha capital suficiente, desde que conte com pessoas competentes, conhecedoras e motivadas. Já o inverso dificilmente será verdade.

Bons líderes correm riscos e têm coragem para tomar decisões, enfrentando as consequências das suas escolhas, para o bem e para o mal, mesmo que isso os torne alvo de críticas por parte das suas próprias equipas.

Bons líderes sabem que eles e as suas equipas não são infalíveis e que erram todos os dias. Mas encaram isso como parte de um processo de aprendizagem permanente, que é necessário para que se possa evoluir.

Bons líderes reclamam uma fatia menor dos louros que lhes caberiam, quando as coisas correm bem. E chamam a si uma quota maior de responsabilidade, quando correm mal.

Bons líderes estimulam uma cultura de mérito, de lealdade e de franqueza nos locais de trabalho, sem contribuir para, ou permitir, uma cultura tóxica no ambiente de trabalho.

Bons líderes geram valor, enquanto os maus destroem. Todos conhecemos exemplos de empresas portuguesas que desapareceram devido a más lideranças. Algumas eram ícones nacionais geridas por gurus da gestão. Mas pelos frutos se conhecem as árvores. Pois os bons líderes servem. Já os maus servem-se.

Portugal tem um número suficiente de bons líderes nas suas organizações? Deixo a resposta a esta questão ao cuidado do leitor.

 

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