Clientes são os vencedores do ‘confronto’ entre FinTech e a banca

Com a aposta no digital, a banca segue o exemplo das FinTech em identificar soluções para resolver as exigências dos clientes.

No início deste mês, a presidente do Banco Santander, Ana Botín, anunciou um investimento de 20 mil milhões de euros dirigido à transformação digital do banco nos próximos quatro anos.

Já não é novidade que a era digital está a operar uma disrupção na indústria financeira, pressionando os bancos tradicionais. Com o digital, não se trata da sobrevivência destes incumbentes, mas antes de uma oportunidade para os bancos cortarem ineficiências e redesenharem produtos capazes de corresponder às expectativas dos consumidores que, no mundo tecnológico, esperam resolver os problemas financeiros com a mesma facilidade com que enviam um email.

Na vertente puramente financeira, a revista “The Economist”, citando um estudo elaborado por economistas do Banco Central Europeu, noticiou que os bancos europeus mais rentáveis são aqueles que “reduziram custos, investiram imensamente em tecnologias de informação, são geograficamente diversificados e dependem menos dos juros para serem mais rentáveis”.

Neste ponto, o investimento em tecnologias digitais surge como solução de parte da equação para tornar a banca europeia mais rentável. Mas a aposta no digital vai além disso.

“O digital já não é uma escolha, mas sim uma obrigação, já que a tecnologia é não só o facilitador, mas [também] a essência de todas estas mudanças que estão a ocorrer”, frisou António Martins, diretor de marketing do Banco Best.

Estas alterações encontram-se quer do lado da oferta, com a entrada em cena das FinTech no mundo financeiro, quer do lado da procura, com os consumidores, atualmente nativos digitais, a exigirem serviços financeiros com uma utilização mais fácil e eficiente.

Os bancos tradicionais encontram-se no epicentro desta mudança efervescente.  Como salientou Isabel Guerreiro, administradora executiva do Santander em Portugal, “a transformação digital é um processo que tem vindo a ser potenciado pela evolução tecnológica, pelo aumento da competição e pela mudança no comportamento dos clientes”.

Como referiu Margarida Mendes da Maia, diretora da Portugal FinTech, com o “tsunami da internet (…) começámos a exigir da banca tradicional mais rapidez, maior abertura aos vários serviços [financeiros] e melhores aplicações de smartphone”.

Neste contexto, o investimento no digital reflete a “luta pela própria melhoria” dos bancos, “a luta, entre si, pela preferência dos clientes” e a luta “com novos atores do mercado financeiro, sejam as FinTech”, sejam as BigTech, explicou a administradora.

Mais do que uma luta, este confronto entre bancos tradicionais e FinTech assume-se como um jogo de soma positiva em que, não apenas ambos vencem, mas também e principalmente os consumidores.

“As parcerias com as FinTech são inevitáveis para o sucesso, a longo prazo, das instituições financeiras”, salientou António Martins. Mas esta confluência de sinergias entre incumbentes e FinTech implicam “ultrapassar alguns obstáculos”, disse o diretor de marketing do Best. “As instituições financeiras tradicionais têm o desafio da agilidade – mais de 70% dos gestores das FinTech apontam a falta de agilidade como o principal obstáculo” dos bancos, revelou. Por outro lado, o tema confiança e do legado da banca joga a favor dos bancos tradicionais, uma vez que “vários estudos evidenciam que os clientes confiam mais nas marcas das empresas tradicionais do nas FinTech”, explicou António Martins.

O banco Santander ora desenvolve parcerias com as FinTech, ora adquire-as, através do fundo Santander Innoventures, disse Isabel Guerreiro.

Neste novo mundo financeiro, as FinTech desempenham um papel importante na inovação de serviços financeiros tecnológicos. Mas, segundo Margarida Mendes da Maia, a noção de que estas surgiram apenas para destronar a banca tradicional ou competir diretamente com ela é uma noção “populista”.

Estas startups trazem “novos processos, menos burocráticos e baseados em novas estruturas informáticas, uma experiência de utitilizador mais fluida, exclusivamente digital e mais barata”, revelou a diretora da Portugal FinTech.

A verdade é que, atualmente, o ritmo da adoção pelo mercado das novas tecnologias é assombroso. Em pouco tempo, os consumidores passaram a poder abrir contas em minutos, com o N26; transferir dinheiro para amigos em segundos com o MBWay; ou investir em empresas com “uns toques no ecrã” do smartphone ou tablet, exemplificou Margarida Mendes da Maia.

Neste turbilhão tecnológico, o consumidor é o grande beneficiado.

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